quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Alice no País de Mary Poppins (ou na Austria?)




Sempre fui apaixonada. Apaixonei-me pela literatura desde muito cedo. Éramos felizes, em nosso triângulo amoroso: a leitura, a escrita e eu. Confesso que sentia prazer com a primeira, mas era a escrita quem me proporcionava momentos de êxtase, pois que através dela recebia sempre o reconhecimento que me afagava o ego.
Mas como boa amante, sabia que as duas me completavam e delas tirava o máximo, sem me preocupar com o futuro. Foi quando aconteceu. Final dos anos 80. Eu tinha treze anos (quase uma Lolita)e cursava a 8a. série quando a notei. Já a conhecia, mas a ignorara até então. Foi-me apresentada pela enérgica e inesquecível professora Alice. Ah! Alice, a que fazia questão de afirmar, negando: não viera do País das Maravilhas. Alice, a mestra e maestra maior.
Poderia descrevê-la? Talvez uma Mary Poppins Tupiniquim. Em verdade, ela em muito me lembrava ambas personagem e atriz principal de um de meus filmes prediletos: The Sound of Music. Cabelos loiros e curtos, estilo Julie Andrews, ela, embora não cantasse, me encantou. Alice era uma encantadora! Encantou-me não com a voz suave, mas com os seus arroubos; não com as notas musicais, mas com as regras gramaticais.
Alice me reapresentou a gramática. Dela virei escrava desde então. Não sendo forte o bastante para resistí-la, deixei-me levar por ela e me atirei num abismo sem volta. Vi meus sonhos de menina aos poucos serem ofuscados por ELA. Onde a escritora? Onde a amante? Restou-me, então, ensiná-la, passá-la adiante. Sonho um dia dela me desvencilhar, pois que ela me segue aonde quer que eu vá. Sou apenas sua sombra.
Alice! Por que me encantastes?

Um comentário:

O Argonauta disse...

Saudades, moça. Mande notícias para os amigos desta outra América mais ao sul...