
Os dias passam numa velocidade incrível, mas a gente nem nota. A gente não vê porque as responsabilidades crescem, assim como as tarefas diárias, enquanto o tempo parece diminuir.
Hoje, por alguns minutos preciosos dentro da minha corrida e – nas últimas semanas – pesada rotina, eu me dei conta do absurdo que a vida se torna quando você não percebe que, bem debaixo do seu nariz, o mundo está a girar (e… pior!) independente da sua vontade.
No meio do meu stress e caos mental, eu vi uma luz que, embora tenha durado pouco, me fez notar a patética figura que me tornei. Eu vi que as meninas cresceram e crescem, aprendem, desenvolvendo seus cérebros em formação, suas personalidades, suas características físicas. Eu vi que envelheci. Eu vi que apesar da dedicação em cumprir as responsabilidades diárias, eu estava deixando de lado a parte que mais interessa – o motivo pelo qual desejamos ter filhos: (tempo) para amar e sermos amados.
Beijei muito e me deixei ser beijada, pisoteada, penteada, babada (!), abraçada… Senti que um amor maior que a vida tomava conta da minha sala na forma de duas menininhas.
Mas infelizmente o meu cérebro doente já ficou imaginando que horas eram, quem iria tomar banho primeiro, a que horas jantariam, as notas das minhas turmas a serem lançadas e outras coisas sem a menor IMPORTÂNCIA. E mais uma vez eu voltava para a matrix.
Mais tarde, exausta, atirada no sofá, admito envergonhada que senti uma pena muito grande de mim mesma, sentimento muito pobre e feio, mas inevitável às vezes. Senti uma vontade enrome de gritar e dizer que não é justo, sair correndo ou me teletransportar para a minha amada terra natal, para o colo da maezinha, para os braços do pai querido que não vejo há 2 anos e que sequer conhece a neta caçula.
Definitivamente a vida não vem com manual.