<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936</id><updated>2011-11-30T07:15:50.449-08:00</updated><category term='letras'/><category term='Romance'/><category term='Lindos textos alheios'/><category term='Contos'/><category term='indignação'/><category term='crônicas'/><category term='Reflexões'/><category term='música boa'/><category term='Poemas'/><title type='text'>Retrato Sentido</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7988095181609304633</id><published>2011-09-04T09:45:00.001-07:00</published><updated>2011-09-04T09:45:36.002-07:00</updated><title type='text'>A resposta (texto antigo... bateu saudade)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://laughingsquid.com/wp-content/uploads/whats-your-answer.gif" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="281" src="http://laughingsquid.com/wp-content/uploads/whats-your-answer.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, em qualquer momento em que uma dúvida me assaltasse, por  mais inibida que fosse, eu procurava questionar os adultos e me  satisfazia com a resposta dada. No meu mundinho os adultos tinham as  respostas para todas as perguntas. Gente grande sabe tudo. Não aceitava,  apenas acreditava. Bons tempos aqueles! Pergunta alguma ficava sem  resposta. Perguntou: batata! Tinham a resposta pronta para mim. Por mais  chocante que a pergunta soasse. &lt;br /&gt;Aliás, as respostas que mais me marcaram foram aquelas que fizeram meus  pais (meus adultos preferidos) suarem a camisa para encontrar. Como à  que meu pai me deu certa vez quando, ainda bem pequena, parada ao seu  lado num ponto de ônibus em Petrópolis, li uma palavra rabiscada no muro  e, como a desconhecia, perguntei bem alto ao meu desconcertado  progenitor: &lt;br /&gt;⎯ Papai, o que é bo-ceta?&lt;br /&gt;No que o mui rápido e eficaz pai, observado de perto por todos os curiosos no ponto de&amp;nbsp;               &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;ô&lt;/span&gt;nibus, respondeu quase num sussurro:&lt;br /&gt;⎯ É um palavrão, minha filha.&lt;br /&gt;O chato é que na adolescência o meu oráculo se desfez. Os adultos  perderam a credibilidade para mim. Decidi que não valia a pena sequer  perguntar, porque a resposta certamente não seria de cunho científico ou  filosófico, mas arbitrário:&lt;br /&gt;⎯ Por que eu não posso tomar banho depois de comer, oras?&lt;br /&gt;⎯ Porque faz mal.&lt;br /&gt;⎯ Faz mal por quê? &lt;br /&gt;⎯ Por que sim!&lt;br /&gt;Mais tarde a faculdade ampliou meus horizontes e eu descobri um novo  oráculo: a biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ. Ah… filosofia,  letras e arte! Respostas para perguntas as quais eu sequer havia  elaborado. Um mundo novo se abriu: subitamente as questões eram tão  importantes quanto suas respostas (estas últimas, aliás, não precisavam  mais ter caráter científico, bastasse fossem opções do que poderia vir a  ser uma conclusão aberta à discussão). Um deleite!&lt;br /&gt;Até que um dia eu me descobri adulta e sem tempo para perguntas ou  coragem para encontrar as respostas. Responsabilidades, contas para  pagar, e uma montanha de questões a resolver. Muitas vezes era preciso  ignorar a pergunta que brotava. Quem lá tinha tempo para isso? A  esquerda que indagasse os porquês ao governo ora essa!&lt;br /&gt;Foi quando eu descobri meu terceiro oráculo: a banda larga! Agora sim,  bastava digitar algumas palavras que o Google vinha imediatamente com  centenas e milhares de lugares e respostas independentemente do cunho da  questão. Tanta informação! Da noite para o dia eu viarava mecânica,  doutora e astronauta. Não necessariamente nessa ordem. As respostas eram  tantas que me embriagavam. Claro que dava um trabalho danado  coleta-las, dividi-las por categorias e decidir qual delas era a mais  verídica e/ou satisfatória. Afinal, era preciso, como qualquer outra  pesquisa, colecionar e questionar as respostas (de acordo com o grau de  credibilidade da fonte). Um trabalho quase científico.&lt;br /&gt;Mas veja bem, meu caro amigo, que coisa doida é a vida. Não é que de lá  para cá eu virei mãe (gente grande) e, sem aviso prévio, fui nomeada o  oráculo de alguém? Alguém de uns três anos de idade. Ah! Quantas  perguntas a serem respondidas. Quantas respostas a serem  “re-perguntadas”. Sim, porque essa minha filhinha e suas perguntas  incansáveis não se satisfaz sempre com minhas singelas respostas:&lt;br /&gt;⎯ A camera não vai funcionar.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque está sem bateria.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque mamae esqueceu de carregar.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque eu tinha muitas coisas para fazer&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;E assim vai… (agora eu sei porque algumas respostas devem ser simplesmente arbitrárias, caramba!)&lt;br /&gt;Entretanto o mais interessante é perceber que a menininha ensaia suas  próprias respostas. Um belo dia, percebendo que a lua não estava mais  cheia, ela mais que depressa apontou:&lt;br /&gt;⎯ Olha a lua mamae! Está quebrada!&lt;br /&gt;E quando eu já ensaiava uma resposta para a pergunta que eu achava que  se seguiria, ela arrematou com a explicação que ela traz na ponta da  língua sempre que se encontra em apuros:&lt;br /&gt;⎯ Foi a minha irmazinha quem quebrou!&lt;br /&gt;Eu não encontraria melhor resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7988095181609304633?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7988095181609304633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7988095181609304633' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7988095181609304633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7988095181609304633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2011/09/resposta-texto-antigo-bateu-saudade.html' title='A resposta (texto antigo... bateu saudade)'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2011923115871903073</id><published>2011-06-27T06:50:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T06:50:13.192-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Paradise</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;style&gt; &lt;!-- /* Font Definitions */@font-face {font-family:"Times New Roman"; panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; 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S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1648235929803833656</id><published>2011-04-19T12:36:00.000-07:00</published><updated>2011-04-19T12:36:48.672-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Te perdoo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; 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S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6M2E6dGLXfw/TCPk7RJd50I/AAAAAAAAgnY/b-aVNY9-fhM/s72-c/House+3,+Providence,+Rhode+Island,+1975-1976.+-+Courtesy+George+and+Betty+Woodman..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1760633086293833790</id><published>2011-04-01T20:01:00.000-07:00</published><updated>2011-04-01T20:01:35.910-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Sem Saber</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&amp;nbsp;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face {font-family:"Times New Roman"; panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;}@font-face {font-family:"Courier New"; panose-1:0 2 7 3 9 2 2 5 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;}@font-face {font-family:Wingdings; panose-1:0 5 2 1 2 1 8 4 8 7; mso-font-charset:2; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 0 256 0 -2147483648 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0in; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable {mso-style-parent:""; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:8.5in 11.0in; margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in; mso-header-margin:.5in; mso-footer-margin:.5in; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;} /* List Definitions */@list l0 {mso-list-id:1556115810; mso-list-type:hybrid; mso-list-template-ids:802585362 -2036718246 67698691 67698693 67698689 67698691 67698693 67698689 67698691 67698693;}@list l0:level1 {mso-level-start-at:0; mso-level-number-format:bullet; mso-level-text:-; mso-level-tab-stop:.5in; mso-level-number-position:left; text-indent:-.25in; font-family:"Times New Roman"; mso-font-width:0%;}ol {margin-bottom:0in;}ul {margin-bottom:0in;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_OZ7tWh8dgo8/TTgP7HIxbTI/AAAAAAAAD7Q/GbLRg0L6Ezs/s1600/Venus_de_Milo_edited.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_OZ7tWh8dgo8/TTgP7HIxbTI/AAAAAAAAD7Q/GbLRg0L6Ezs/s320/Venus_de_Milo_edited.jpg" width="286" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;a href="http://www.louvre.fr/llv/activite/detail_parcours.jsp?CURRENT_LLV_PARCOURS%3C%3Ecnt_id=10134198673226914&amp;amp;CONTENT%3C%3Ecnt_id=10134198673327544&amp;amp;CURRENT_LLV_CHEMINEMENT%3C%3Ecnt_id=10134198673327544&amp;amp;bmLocale=en"&gt;Venus de Milo - Louvre&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Murros na porta do apartamento 301 ecoam nos corredores do &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;pequeno prédio de fachada de azulejos do Catete. Fernando sabe que Paula, sua irmã mais nova, dorme à tarde ao voltar do pré-vestibular, mas aquilo já é exagero. Toca a campainha freneticamente em vão. Torna a ligar para o celular da moça. Nada. E ele sem chave! Resolve descer e perguntar ao zelador se viu a Paulinha sair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Dentro do banheiro, Paula olha para o corpinho imóvel caído ao lado da pia. Não escuta as batidas na porta, não escuta seu próprio coração. Não escuta o choro do bebê. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Catatônica, não sabe precisar o que se passa. Sequer consegue distinguir fantasia de realidade. Não sabe se delira. Não entende nem raciocina. Apenas fixa o olhar no corpinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .25in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fernando sobe as escadas certo agora de que Paula ainda está dormindo. Esmurra a porta chamando por ela. O barulho atrai Dona Carmem, a fofoqueira do prédio. Absolutamente confiante de que se trata de alguma briga entre casais, Dona Carmem berra lá da porta do seu apartamento no segundo andar: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: .5in; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list .5in; text-align: justify; text-indent: -.25in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR; mso-font-width: 0%;"&gt;-&lt;span style="font: 7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Olha esta indecência aí!! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .25in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fernando se aborrece e desce as escadas mais uma vez. Bate à porta da fofoqueira para tirar satisfações. Envergonhada &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;com a súbita reação do rapaz, ela pede desculpas e até se prontifica a ajudar, interessada no desfecho do enredo. “Deve é estar com algum namoradinho, a safadinha”, pensa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Paula entende que o corpinho não se mexe. Não sabe se o bebê está morto ou vivo. A cabeça de Paula gira. É preciso estar grávida para dar a luz! Ainda sentada, enfim percebe-se sozinha e procura mover as pernas e os braços, mas não sabe que atitude tomar. Sente muito medo. Pavor agudo. O peito arfa. Lembra menstruar. Lembra das cólicas e desconforto nos últimos meses. Confusa, passa a mão sobre o ventre. Num clarão, vê o cordão umbilical. Aquele é seu bebê? Pega o corpinho nos braços sem pensar. O choro finalmente ecoa no banheiro. Está vivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Fernando ouve as propostas dos vários vizinhos no corredor no terceiro andar. O zelador sugere chamar um chaveiro. O vizinho do 303 recomenda que pulem da varanda do seu apartamento para a varanda de Fernando. O marido de Dona Carmem só observa. Fernando começa a pensar no pior. Esquece que precisa ir para o trabalho na Tijuca e pensa em Paulinha. Lembra que já há algum tempo ela reclama de dores no abdômen e nas costas. Arrepende-se de toda aquela confusão e decide despachar aquele povo todo dizendo que os pais voltam em breve e que tudo está sobre controle.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Decepcionado e sem nada entender, o grupo se afasta aos poucos, cada qual para seu apartamento. Frases malcriadas entre os dentes são deixadas no corredor agora vazio. Cansado e atrasado, Fernando balança os ombros. Vai ver que ela nem veio para casa. O jeito é esperar que os pais descubram o paradeiro da moça. Passa uma mensagem de texto para o pai pelo celular e vai embora trabalhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Paula embrulha o bebê numa toalha limpa e procura instintivamente &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a tesoura e o álcool no armário debaixo da pia. Depois de cortar o cordão que prova para si mesma que aquele é mesmo seu bebê, resolve investigar e vê que ele não sangra. Ele? Não. Ela. É uma menina. Chocada com sua própria iniciativa, Paula amamenta a filha que ela ignorava conceber. Não sabe precisar que sentimento – se algum – experimenta. Abre a porta do banheiro e vai com a menina para o seu quarto. O bebê dorme tranquilamente. Paula põe a menina em sua cama com cuidado e deita-se a seu lado. Torna a olhar o rostinho daquele recém-nascido e sente certa ternura por ela. Como é possível ser mãe sem saber? Não sabe. Só sabe que um enorme cansaço se abate sobre seu corpo e adormece, já sem medo algum, ao lado da filhinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: .5in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1760633086293833790?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1760633086293833790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1760633086293833790' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1760633086293833790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1760633086293833790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2011/04/sem-saber.html' title='Sem Saber'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OZ7tWh8dgo8/TTgP7HIxbTI/AAAAAAAAD7Q/GbLRg0L6Ezs/s72-c/Venus_de_Milo_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5916401635509738714</id><published>2010-11-13T06:41:00.000-08:00</published><updated>2010-11-13T06:50:38.879-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lindos textos alheios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indignação'/><title type='text'>"O sertanejo é, antes de tudo, um forte!"</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;Preconceito é burrice. Não tenho a menor paciência. Se vocês ainda não tiveram a oportunidade de ler este ótimo texto de José Barbosa Júnior sobre a "pérola" dita pela estudante paulistana, Mayara Petruso, deleitem-se!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Na4CPVnGtCk/TNWx2pZMpOI/AAAAAAAAXfc/83zMdMBKtqU/s400/qualquer.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="181" src="http://2.bp.blogspot.com/_Na4CPVnGtCk/TNWx2pZMpOI/AAAAAAAAXfc/83zMdMBKtqU/s320/qualquer.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; imagem do retirada do blog: &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_617665497"&gt;poemas de mil compassos&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;Calem a boca, Nordestinos!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Por José Barbosa Junior&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;As eleições de 2010 trouxeram à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!&lt;br /&gt;Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?&lt;br /&gt;Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial&amp;nbsp; Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…&lt;br /&gt;Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…&lt;br /&gt;E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah! Nordestinos…&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura. E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros&amp;nbsp;à força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país. Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?&lt;br /&gt;Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.&lt;br /&gt;Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: medium;"&gt;Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5916401635509738714?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5916401635509738714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5916401635509738714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5916401635509738714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5916401635509738714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/11/calem-boca-nordestinos.html' title='&quot;O sertanejo é, antes de tudo, um forte!&quot;'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Na4CPVnGtCk/TNWx2pZMpOI/AAAAAAAAXfc/83zMdMBKtqU/s72-c/qualquer.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5031197686052103103</id><published>2010-11-08T10:03:00.001-08:00</published><updated>2010-11-08T10:06:17.432-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Sem mais reticências</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rFdMkMWle_4/TI6thB0w1OI/AAAAAAAAIXE/uA_Mnv64D6M/reticencias%5B11%5D.jpg?imgmax=800" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="312" src="http://3.bp.blogspot.com/_rFdMkMWle_4/TI6thB0w1OI/AAAAAAAAIXE/uA_Mnv64D6M/reticencias%5B11%5D.jpg?imgmax=800" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Andei muito tempo ausente deste blog. A falta de palavras me fez pensar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cheguei à conclusão de que não preciso suprimir acentos (todos antes muito necessários, por sinal), tão pouco aglutinar palavras que antes eram ligadas por hifens (tão simpáticos) etc. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah, sim. Quase me esqueço. Sou professora de português. Detalhes, detalhes…&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ora vejam bem: o ano já chega ao fim. Fatos importantíssimos aconteceram no mundo. O Brasil até elegeu sua primeira mulher presidente. E nós aqui. Preocupados com a falta que o trema faz.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pontuação, sim. É de pontuação que precisamos. Que trabalho que dá pontuar a vida da gente! Está decidido: em 2011 eu vou organizar e pontuar corretamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Chega de usar tantas reticências. Sejamos mais firmes e menos hesitantes. Pontos finais são imprescindíveis. Boas resoluções precisam de seus pontos finais. Se for o caso de mudar de idéia depois, mude com firmeza, oras!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah! Pontos de exclamação! Exclamar é viver! Usemos e abusemos do nosso direito de exclamar! Reinvidiquemos mais com nossa exclamações! Sejam elas provenientes de admiração, fúria, ultraje ou animação! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aproveitemos também para questionar mais. Os pontos de interrogação estão aí para isso, não é? Deve-se usar acento agudo ou circunflexo em bebe? Esta palavra tem origem francesa? Por que ainda não consigo assimilar as regras do já-nem-tão-novo-assim (uso hifem ou não? hifem tem acento?) acordo ortográfico? Oras, perguntar não é importante? O questionamento não faz parte do temperamento humano? As grandes descobertas não nasceram dos cérebros indagadores?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E já que 2011 será, sem dúvida, um ano de muitas vitórias para o povo brasileiro, façamos uso generoso das vírgulas, enumerando as alegrias e conquistas! Vamos, ao lado da presidente, cuidar da saúde, educação, segurança, empregos, meio ambiente etc!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pontue, por um futuro melhor!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u441414.shtml"&gt;Novo acordo ortográfico &lt;/a&gt;(2009)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://www.dilma.com.br/paginas/propostas/"&gt;Propostas da nova presidente&lt;/a&gt; (2010/2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5031197686052103103?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5031197686052103103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5031197686052103103' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5031197686052103103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5031197686052103103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/11/sem-mais-reticencias.html' title='Sem mais reticências'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rFdMkMWle_4/TI6thB0w1OI/AAAAAAAAIXE/uA_Mnv64D6M/s72-c/reticencias%5B11%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-959547271320260838</id><published>2010-05-28T10:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T10:41:17.568-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música boa'/><title type='text'>It's too late to change your mind</title><content type='html'>&lt;span style="color: #999999; font-family: Verdana; font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;amp;videoid=102521439"&gt;The High Road&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="360px" width="425px"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"/&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"/&gt;&lt;param name="movie" value="http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=102521439,t=1,mt=video"/&gt;&lt;embed src="http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=102521439,t=1,mt=video" width="425" height="360" allowFullScreen="true" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/brokenbells"&gt;Broken Bells&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://www.myspace.com/music/videos"&gt;MySpace Music Videos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.brokenbells.com/"&gt;Site&lt;/a&gt; oficial do Broken Bells&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-959547271320260838?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/959547271320260838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=959547271320260838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/959547271320260838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/959547271320260838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/05/its-too-late-to-change-your-mind.html' title='It&apos;s too late to change your mind'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-254774660093506100</id><published>2010-05-13T14:51:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T16:13:19.865-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Caro Voltaire</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote style="background-color: #f9cb9c; color: #cc0000; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;i&gt;L'homme est libre au moment qu'il veut l'être.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente as trevas nunca nos deixaram. Há intolerância em toda a partes, sob as mais variadas formas e disfarces. &lt;br /&gt;Preconceito, superstição, abuso e tirania jamais deixaram de existir. Talvez por isso o pensamento e a ação ainda não andam juntos, e ninguém parece se interessar verdadeiramente em construir uma sociedade melhor – dá muito trabalho.&lt;br /&gt;O homem que é livre para pensar prefere abdicar deste direito. O nosso progresso é lento e penoso, caro Voltaire. &lt;br /&gt;Tudo o que é tão óbvio é o que menos se enxerga. A dúvida ainda é blasfêmia; a razão uma ferramenta enferrujada. &lt;br /&gt;Só nos resta, além das grades as quais criamos, a sátira, caro Voltaire. Não estamos prontos para sermos livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/crentexateu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/crentexateu.jpg" width="482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-254774660093506100?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/254774660093506100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=254774660093506100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/254774660093506100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/254774660093506100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/05/caro-voltaire.html' title='Caro Voltaire'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-8194707257463163406</id><published>2010-04-23T17:39:00.001-07:00</published><updated>2010-04-23T17:39:01.304-07:00</updated><title type='text'>Falta</title><content type='html'>&lt;meta content="" name="Title"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="" name="Keywords"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/carlossimo.arteblog.com.br/images/gd/1243464906/Faz-falta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/carlossimo.arteblog.com.br/images/gd/1243464906/Faz-falta.jpg" width="314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Humildade. Palavra tão bonita mas porcamente interpretada e tão pouco difundida . &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dizer o que quer, sem medir ou filtrar as palavras e o conteúdo da mensagem, que fatalmente prejudicará direta ou indiretamente outrem ou causará macula e desconforto não é franqueza, é falta de humildade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bater no peito e encher a boca para ampliar, divulgar ou enfeitar virtudes, vantagens e até talentos naturais ou adquiridos não é orgulho, é simplesmente falta de humildade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E esta falta vai além do faltar que remete ao não-ter ou ao não-existir. Esta falta implica em erro mesmo. Em falta grave. Gravíssima. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta falta está em quase todos os ambientes em que convivo e me toma o ar. Ninguém faz questão de ser humilde. Humildade é sinônimo de fraqueza, de ignorância, de falta de educação. “Fulano é humilde” significa ele não tem posses materiais ou não tem estudo.&amp;nbsp; Quão bom seria dizer “Fulano é humilde” porque não se vangloria a torto e a direito, não exibe seus bens materiais ou não, pensa e escolhe as palavras para não ferir. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Qual o quê. Humildade é considerada coisa de gente ignorante, gente que crê em alguma religião dominante e que não faz lutar pelos seus direitos. &amp;nbsp;Nem&amp;nbsp; de longe humildade é virtude. O certo mesmo é não levar desaforo para casa. É provar que é mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Falta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-8194707257463163406?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/8194707257463163406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=8194707257463163406' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8194707257463163406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8194707257463163406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/04/falta.html' title='Falta'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-4577777440564486642</id><published>2010-04-22T19:12:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T06:36:41.594-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='letras'/><title type='text'>Terra</title><content type='html'>&lt;div class="cor_2" id="cabecalho"&gt;&lt;div style="font-size: 127.7%;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Embora Caetano tenha visões muito distorcidas e opiniões bastante incoerentes, confesso que gosto de muitas de suas letras, e uso os versos de uma delas, a qual causou em mim, na época ( e ainda hoje causa), um grande encantamento diante da beleza na descrição desta musa, Terra, mãe tão maltrada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Terra! Terra!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por mais distante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O errante navegante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_oFO6tT_filw/Ss_-Vascy3I/AAAAAAAAAGY/5HR-iB3LscI/s1600/terra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_oFO6tT_filw/Ss_-Vascy3I/AAAAAAAAAGY/5HR-iB3LscI/s320/terra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h2&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/" id="identificador_artista"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;small&gt;Composição: Caetano Veloso&lt;/small&gt;  &lt;/div&gt;Quando eu me encontrava preso&lt;br /&gt;Na cela de uma cadeia&lt;br /&gt;Foi que vi pela primeira vez&lt;br /&gt;As tais fotografias&lt;br /&gt;Em que apareces inteira&lt;br /&gt;Porém lá não estavas nua&lt;br /&gt;E sim coberta de nuvens...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;br /&gt;Ninguém supõe a morena&lt;br /&gt;Dentro da estrela azulada&lt;br /&gt;Na vertigem do cinema&lt;br /&gt;Mando um abraço prá ti&lt;br /&gt;Pequenina como se eu fosse&lt;br /&gt;O saudoso poeta&lt;br /&gt;E fosses a Paraíba...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;br /&gt;Eu estou apaixonado&lt;br /&gt;Por uma menina terra&lt;br /&gt;Signo de elemento terra&lt;br /&gt;Do mar se diz terra à vista&lt;br /&gt;Terra para o pé firmeza&lt;br /&gt;Terra para a mão carícia&lt;br /&gt;Outros astros lhe são guia...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;br /&gt;Eu sou um leão de fogo&lt;br /&gt;Sem ti me consumiria&lt;br /&gt;A mim mesmo eternamente&lt;br /&gt;E de nada valeria&lt;br /&gt;Acontecer de eu ser gente&lt;br /&gt;E gente é outra alegria&lt;br /&gt;Diferente das estrelas...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;br /&gt;De onde nem tempo, nem espaço&lt;br /&gt;Que a força mãe dê coragem&lt;br /&gt;Prá gente te dar carinho&lt;br /&gt;Durante toda a viagem&lt;br /&gt;Que realizas do nada&lt;br /&gt;Através do qual carregas&lt;br /&gt;O nome da tua carne...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?...&lt;br /&gt;Na sacada dos sobrados&lt;br /&gt;Da velha são Salvador&lt;br /&gt;Há lembranças de donzelas&lt;br /&gt;Do tempo do Imperador&lt;br /&gt;Tudo, tudo na Bahia&lt;br /&gt;Faz a gente querer bem&lt;br /&gt;A Bahia tem um jeito...&lt;br /&gt;Terra! Terra!&lt;br /&gt;Por mais distante&lt;br /&gt;O errante navegante&lt;br /&gt;Quem jamais te esqueceria?&lt;br /&gt;Terra!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-4577777440564486642?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/4577777440564486642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=4577777440564486642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/4577777440564486642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/4577777440564486642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/04/terra.html' title='Terra'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oFO6tT_filw/Ss_-Vascy3I/AAAAAAAAAGY/5HR-iB3LscI/s72-c/terra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-173139552982960099</id><published>2010-03-30T14:08:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T14:08:24.896-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lindos textos alheios'/><title type='text'>Promessas de mãe</title><content type='html'>ESTE TEXTO FOI CONCEBIDO POR UMA PESSOA LINDA E TALENTOSA, A &lt;a href="http://embuchada.blogspot.com/"&gt;ANA COUTINHO&lt;/a&gt;, E EU NAO RESISTI!!! DIVIDO-O CONTIGO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessas de mãe&lt;br /&gt;Eu prometo querida, que te olharei com atenção.&lt;br /&gt;Eu prometo que buscarei te conhecer. Tudo. Tuas luzes e tuas sombras. Ainda que me ofusque os olhos, ainda que não seja o que eu sonhei, buscarei sempre te conhecer.&lt;br /&gt;Eu prometo desenhar com você, ler para você, contar estórias e te por pra dormir, mesmo depois de um dia cansativo.&lt;br /&gt;Eu prometo ouvir você, te segurar e te soltar. Deus me ajude a saber quando é a o hora do que.&lt;br /&gt;Eu prometo não esquecer de te elogiar, não esquecer de te beijar, não esquecer de te fazer côcegas e de rir junto de você, mesmo que a rotina, essa raposa, me martele as obrigações e o cansaço do dia a dia.&lt;br /&gt;Eu prometo te respeitar, te deixar livre mesmo querendo te aprisionar a mim e, quando você tiver seu coração partido em mil pedaços, eu prometo não diminuir a sua dor, por mais que ela me pareça fútil e fora de hora. Eu prometo respeitar seus sentimentos, suas dúvidas e suas certezas, ainda que elas me sejam infantis e tolas. Se são suas, terão o meu olhar e o meu amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-173139552982960099?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/173139552982960099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=173139552982960099' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/173139552982960099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/173139552982960099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/03/promessas-de-mae.html' title='Promessas de mãe'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5192025166940082720</id><published>2010-02-19T19:20:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T19:26:11.250-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>A resposta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://laughingsquid.com/wp-content/uploads/whats-your-answer.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="281" src="http://laughingsquid.com/wp-content/uploads/whats-your-answer.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, em qualquer momento em que uma dúvida me assaltasse, por mais inibida que fosse, eu procurava questionar os adultos e me satisfazia com a resposta dada. No meu mundinho os adultos tinham as respostas para todas as perguntas. Gente grande sabe tudo. Não aceitava, apenas acreditava. Bons tempos aqueles! Pergunta alguma ficava sem resposta. Perguntou: batata! Tinham a resposta pronta para mim. Por mais chocante que a pergunta soasse. &lt;br /&gt;Aliás, as respostas que mais me marcaram foram aquelas que fizeram meus pais (meus adultos preferidos) suarem a camisa para encontrar. Como à que meu pai me deu certa vez quando, ainda bem pequena, parada ao seu lado num ponto de ônibus em Petrópolis, li uma palavra rabiscada no muro e, como a desconhecia, perguntei bem alto ao meu desconcertado progenitor: &lt;br /&gt;⎯ Papai, o que é bo-ceta?&lt;br /&gt;No que o mui rápido e eficaz pai, observado de perto por todos os curiosos no ponto de&amp;nbsp;     &lt;meta content="" name="Title"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="" name="Keywords"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;ô&lt;/span&gt;nibus, respondeu quase num sussurro:&lt;br /&gt;⎯ É um palavrão, minha filha.&lt;br /&gt;O chato é que na adolescência o meu oráculo se desfez. Os adultos perderam a credibilidade para mim. Decidi que não valia a pena sequer perguntar, porque a resposta certamente não seria de cunho científico ou filosófico, mas arbitrário:&lt;br /&gt;⎯ Por que eu não posso tomar banho depois de comer, oras?&lt;br /&gt;⎯ Porque faz mal.&lt;br /&gt;⎯ Faz mal por quê? &lt;br /&gt;⎯ Por que sim!&lt;br /&gt;Mais tarde a faculdade ampliou meus horizontes e eu descobri um novo oráculo: a biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ. Ah… filosofia, letras e arte! Respostas para perguntas as quais eu sequer havia elaborado. Um mundo novo se abriu: subitamente as questões eram tão importantes quanto suas respostas (estas últimas, aliás, não precisavam mais ter caráter científico, bastasse fossem opções do que poderia vir a ser uma conclusão aberta à discussão). Um deleite!&lt;br /&gt;Até que um dia eu me descobri adulta e sem tempo para perguntas ou coragem para encontrar as respostas. Responsabilidades, contas para pagar, e uma montanha de questões a resolver. Muitas vezes era preciso ignorar a pergunta que brotava. Quem lá tinha tempo para isso? A esquerda que indagasse os porquês ao governo ora essa!&lt;br /&gt;Foi quando eu descobri meu terceiro oráculo: a banda larga! Agora sim, bastava digitar algumas palavras que o Google vinha imediatamente com centenas e milhares de lugares e respostas independentemente do cunho da questão. Tanta informação! Da noite para o dia eu viarava mecânica, doutora e astronauta. Não necessariamente nessa ordem. As respostas eram tantas que me embriagavam. Claro que dava um trabalho danado coleta-las, dividi-las por categorias e decidir qual delas era a mais verídica e/ou satisfatória. Afinal, era preciso, como qualquer outra pesquisa, colecionar e questionar as respostas (de acordo com o grau de credibilidade da fonte). Um trabalho quase científico.&lt;br /&gt;Mas veja bem, meu caro amigo, que coisa doida é a vida. Não é que de lá para cá eu virei mãe (gente grande) e, sem aviso prévio, fui nomeada o oráculo de alguém? Alguém de uns três anos de idade. Ah! Quantas perguntas a serem respondidas. Quantas respostas a serem “re-perguntadas”. Sim, porque essa minha filhinha e suas perguntas incansáveis não se satisfaz sempre com minhas singelas respostas:&lt;br /&gt;⎯ A camera não vai funcionar.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque está sem bateria.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque mamae esqueceu de carregar.&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;⎯ Porque eu tinha muitas coisas para fazer&lt;br /&gt;⎯ Why?&lt;br /&gt;E assim vai… (agora eu sei porque algumas respostas devem ser simplesmente arbitrárias, caramba!)&lt;br /&gt;Entretanto o mais interessante é perceber que a menininha ensaia suas próprias respostas. Um belo dia, percebendo que a lua não estava mais cheia, ela mais que depressa apontou:&lt;br /&gt;⎯ Olha a lua mamae! Está quebrada!&lt;br /&gt;E quando eu já ensaiava uma resposta para a pergunta que eu achava que se seguiria, ela arrematou com a explicação que ela traz na ponta da língua sempre que se encontra em apuros:&lt;br /&gt;⎯ Foi a minha irmazinha quem quebrou!&lt;br /&gt;Eu não encontraria melhor resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0cE-l5grlks&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0cE-l5grlks&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5192025166940082720?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5192025166940082720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5192025166940082720' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5192025166940082720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5192025166940082720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/02/resposta.html' title='A resposta'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1652020998646275953</id><published>2010-01-04T20:14:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T20:39:48.832-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>decisões...</title><content type='html'>&lt;meta content="" name="Title"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="" name="Keywords"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://planete.qc.ca/invitation/images/ginette22/petit-prince1.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://planete.qc.ca/invitation/images/ginette22/petit-prince1.gif" width="272" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="fr"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Le Petit Prince&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;,&lt;span lang="PT-BR"&gt;1943 ( Saint-Exupéry)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Confesso que a minha lista de decisões para a nova década surpreendeu a mim mesma. Engraçado como as prioridades mudam com a idade. A certa altura da vida certas preocupações que outrora assemelhavam-se ao próprio armagedom desaparecem feito névoa diante dos problemas concretos e, às vezes, até irremediáveis. O interessante é que o pânico total de antes dá lugar a uma calma quase absurda diante da descoberta dos novos (e bem mais reais) obstáculos e dificuldades do presente, os quais tornam-se parte da vida e, ouso dizer, passam a ser - quase - necessários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Limito-me a dizer que uma de minhas (poucas) resoluções é a de não desistir do ser humano. Romantismo? Não. Simplesmente cansei de escutar dos outros que “as pessoas cansam”. Não nego. Cansam mesmo. Mas desistir não envolve desafio algum. Que mérito pode haver nesta atitude que em nada resolve o problema, apenas o agrava?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que venham os problemas e as pessoas. Na minha lista não entram mais futilidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Para ilustrar a minha luta armada (virtual) contra o cansaço dos outros ante a própria espécie, segue o link para um texto antigo aqui deste humilde blog chamado O Reencontro, que trata dos desconhecidos que nos tocam o coração nas esquinas da vida. Um feliz 2010 para todos nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: large;"&gt;&lt;a href="http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/o-reencontro.html"&gt;O Reencontro&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1652020998646275953?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1652020998646275953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1652020998646275953' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1652020998646275953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1652020998646275953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2010/01/decisoes.html' title='decisões...'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2474132043693023725</id><published>2009-12-04T21:15:00.001-08:00</published><updated>2009-12-06T17:31:29.970-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Língua e Herança</title><content type='html'>    &lt;meta content="" name="Title"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="" name="Keywords"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SxnqZyY0s8I/AAAAAAAAAM8/0pJENovzj04/s1600-h/Capa+Minha+p%C3%A1tria+640.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SxnqZyY0s8I/AAAAAAAAAM8/0pJENovzj04/s320/Capa+Minha+p%C3%A1tria+640.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Capa:&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.apicuri.com.br/interna.php?ID_Materia=63"&gt;MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA:  &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;A Construção da Ideia da Lusofonia em Portugal&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;Adriano de Freixo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa.&lt;/span&gt; - Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quando minha filhinha mais velha completou&amp;nbsp; 1 ano e meio sem pronunciar uma palavra sequer (nem mesmo mamãe), o pediatra começou a se preocupar. Organizou e requisitou uma bateria de testes para ter certeza de que a menininha não tinha nenhum problema de audição, fala etc. Feitos os testes (embora todos tenham apresentado resultado negativo),&amp;nbsp; chegou-se à conclusão de que ela deveria ser acompanhada por determinados profissionais, tais quais uma fonoaudióloga que a visitaria uma vez por semana, só para garantir… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O meu coração de mãe de primeira viagem culpou-se o tanto quanto pode ante aquela situação imprevista. Multipliquei todos os esforços e reavivei a professorinha que havia em mim, tirando todos os truques da cartola, entre livros, músicas, brincadeiras, abecedário e mais. Grávida, então, da segunda filhinha, achei que se fazia necessário uma solução conveniente, prática e rápida, pois a vinda do novo bebê poderia complicar ainda mais aquele cenário. Tomei uma decisão muito séria, embora desejando que fosse temporária, e que considero qual sacrifício dos mais penosos em nome do desejo de ajudar no seu progresso: deixei de falar em português com a filhinha, passando a usar apenas a língua inglesa, a mesma usada pelos “profissionais” que trabalhavam com ela semanalmente; a mesma que ela ouve diariamente no país em que ela nasceu, mora, interage e cresce. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Aos olhos de uma pessoa comum, este detalhe passa despercebido. Entretanto, sinto como se a principal (e, no momento, única) herança cultural que eu poderia diretamente oferecer às minhas menininhas lhes fosse cruelmente negada.&amp;nbsp; Não bastasse a falta de convívio com os avós maternos, família e amigos brasileiros, os quais em suas cabecinhas infantis fazem todos parte de um mundo quase abstrato, quase lúdico, a elas apresentado em forma de algumas poucas fotografias e, eventualmente, vozes ao telefone; não bastasse ainda a escassez de materiais, brinquedos, livros bilíngues aos quais ambas tivessem acesso, até mesmo o diálogo em português é inexistente em suas tão jovens vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sim. Sem dúvida terei tempo de corrigir tal “detalhe”. Mas este não é o ponto em questão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Amo meu país. Amo minha língua. Fiz dela um meio de ganhar a vida. Trato-a com carinho, respeito e dedicação. Aprendi que minha Pátria é minha língua e vice-versa e por isso trago ambos no peito e na mente. Dela me utilizo desde que me reconheci enquanto pessoa para expressar meus sentimentos, idéias, sonhos, projetos. Sofro ao vê-la maltratada, regojizo-me ante sua beleza e magnitude. Com ela sonho, revejo, reconstruo. Canto as canções do meu povo. Recito os poemas mais belos. Maldigo as notícias mais revoltantes. Grito o nome do meu time. Balbucio palavras de amor. Xingo. Gaguejo. Construo textos. Fabrico testes. Repito as frases ditas. Descrevo as paisagens da minha infância e as passagens da minha vida. Falo. Escrevo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta content="" name="Title"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="" name="Keywords"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt; &lt;link href="file://localhost/Users/kareemmuhammad/Library/Caches/TemporaryItems/msoclip1/01/clip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;  &lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */@font-face	{font-family:"Times New Roman";	panose-1:0 2 2 6 3 5 4 5 2 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:auto;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:50331648 0 0 0 1 0;} /* Style Definitions */p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0in;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";}table.MsoNormalTable	{mso-style-parent:"";	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:8.5in 11.0in;	margin:1.0in 1.25in 1.0in 1.25in;	mso-header-margin:.5in;	mso-footer-margin:.5in;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ela é tudo o que verdadeiramente possuo. É com ela que me reconheço. Ainda que fosse poliglota, viajasse aos quatro cantos do planeta e jamais voltasse a ouvir minha língua mãe, ela estaria gravada no meu íntimo como parte do ser que sou, qual traço de DNA, carregando com ela minha cultura, meus antepassados, meu país e sua história. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-2474132043693023725?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/2474132043693023725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=2474132043693023725' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2474132043693023725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2474132043693023725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/12/lingua-e-heranca.html' title='Língua e Herança'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SxnqZyY0s8I/AAAAAAAAAM8/0pJENovzj04/s72-c/Capa+Minha+p%C3%A1tria+640.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7428280368551836035</id><published>2009-10-25T06:52:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T07:12:04.184-07:00</updated><title type='text'>Fadado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:lucida grande;font-size:130%;"  &gt;Aníbal Nazaré e Nelson de Barros: "Fado Falado"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fado Triste&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fado negro das vielas&lt;br /&gt;Onde a noite quando passa&lt;br /&gt;Leva mais tempo a passar&lt;br /&gt;Ouve-se a voz&lt;br /&gt;Voz inspirada de uma raça&lt;br /&gt;Que mundo em fora nos levou&lt;br /&gt;Pelo azul do mar&lt;br /&gt;Se o fado se canta e chora&lt;br /&gt;Também se pode falar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos doloridas na guitarra&lt;br /&gt;que desgarra dor bizarra&lt;br /&gt;Mãos insofridas, mãos plangentes&lt;br /&gt;Mãos frementes e impacientes&lt;br /&gt;Mãos desoladas e sombrias&lt;br /&gt;Desgraçadas, doentias&lt;br /&gt;Quando à traição, ciume e morte&lt;br /&gt;E um coração a bater forte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história bem singela&lt;br /&gt;Bairro antigo, uma viela&lt;br /&gt;Um marinheiro gingão&lt;br /&gt;E a Emília cigarreira&lt;br /&gt;Que ainda tinha mais virtude&lt;br /&gt;Que a própria Rosa Maria&lt;br /&gt;Em dia de procissão&lt;br /&gt;Da Senhora da Saúde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os beijos que ele lhe dava&lt;br /&gt;Trazia-os ele de longe&lt;br /&gt;Trazia-os ele do mar&lt;br /&gt;Eram bravios e salgados&lt;br /&gt;E ao regressar à tardinha&lt;br /&gt;O mulherio tagarela&lt;br /&gt;De todo o bairro de Alfama&lt;br /&gt;Cochichava em segredinho&lt;br /&gt;Que os sapatos dele e dela&lt;br /&gt;Dormiam muito juntinhos&lt;br /&gt;Debaixo da mesma cama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela janela da Emília&lt;br /&gt;Entrava a lua&lt;br /&gt;E a guitarra&lt;br /&gt;À esquina de uma rua gemia,&lt;br /&gt;Dolente a soluçar.&lt;br /&gt;E lá em casa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos amorosas na guitarra&lt;br /&gt;Que desgarra dor bizarra&lt;br /&gt;Mãos frementes de desejo&lt;br /&gt;Impacientes como um beijo&lt;br /&gt;Mãos de fado, de pecado&lt;br /&gt;A guitarra a afagar&lt;br /&gt;Como um corpo de mulher&lt;br /&gt;Para o despir e para o beijar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia,&lt;br /&gt;Mas um dia santo Deus, ele não veio&lt;br /&gt;Ela espera olhando a lua, meu Deus&lt;br /&gt;Que sofrer aquele&lt;br /&gt;O luar bate nas casas&lt;br /&gt;O luar bate na rua&lt;br /&gt;Mas não marca a sombra dele&lt;br /&gt;Procurou como doida&lt;br /&gt;E ao voltar da esquina&lt;br /&gt;Viu ele acompanhado&lt;br /&gt;Com outra ao lado, de braço dado&lt;br /&gt;Gingão, feliz, levião&lt;br /&gt;Um ar fadista e bizarro&lt;br /&gt;Um cravo atrás da orelha&lt;br /&gt;E preso à boca vermelha&lt;br /&gt;O que resta de um cigarro&lt;br /&gt;Lume e cinza na viela,&lt;br /&gt;Ela vê, que homem aquele&lt;br /&gt;O lume no peito dela&lt;br /&gt;A cinza no olhar dele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ciume chegou como lume&lt;br /&gt;Queimou, o seu peito a sangrar&lt;br /&gt;Foi como vento que veio&lt;br /&gt;Labareda atear, a fogueira aumentar&lt;br /&gt;Foi a visão infernal&lt;br /&gt;A imagem do mal que no bairro surgiu&lt;br /&gt;Foi o amor que jurou&lt;br /&gt;Que jurou e mentiu&lt;br /&gt;Correm vertigens num grito&lt;br /&gt;Direito ou maldito que há-de perder&lt;br /&gt;Puxa a navalha, canalha&lt;br /&gt;Não há quem te valha&lt;br /&gt;Tu tens de morrer&lt;br /&gt;Há alarido na viela&lt;br /&gt;Que mulher aquela&lt;br /&gt;Que paixão a sua&lt;br /&gt;E cai um corpo sangrando&lt;br /&gt;Nas pedras da rua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos carinhosas, generosas&lt;br /&gt;Que não conhecem o rancor&lt;br /&gt;Mãos que o fado compreendem&lt;br /&gt;e entendem sua dor&lt;br /&gt;Mãos que não mentem&lt;br /&gt;Quando sentem&lt;br /&gt;Outras mãos para acarinhar&lt;br /&gt;Mãos que brigam, que castigam&lt;br /&gt;Mas que sabem perdoar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pouco a pouco o amor regressou&lt;br /&gt;Como lume queimou&lt;br /&gt;Essas bocas febris&lt;br /&gt;Foi um amor que voltou&lt;br /&gt;E a desgraça trocou&lt;br /&gt;Para ser mais feliz&lt;br /&gt;Foi uma luz renascida&lt;br /&gt;Um sonho, uma vida&lt;br /&gt;De novo a surgir&lt;br /&gt;Foi um amor que voltou&lt;br /&gt;Que voltou a sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gargalhadas no ar&lt;br /&gt;E o sol a vibrar&lt;br /&gt;Tem gritos de cor&lt;br /&gt;Há alegria na viela&lt;br /&gt;E em cada janela&lt;br /&gt;Renasce uma flor&lt;br /&gt;Veio o perdão e depois&lt;br /&gt;Felizes os dois&lt;br /&gt;Lá vão lado a lado&lt;br /&gt;E digam lá se pode ou não&lt;br /&gt;Falar-se o fado.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/groups/pnq-tDqW/music/Sf_O9eO5/mariza-loucura/"&gt;Loucura - Mariza&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7428280368551836035?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7428280368551836035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7428280368551836035' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7428280368551836035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7428280368551836035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/10/fadalado.html' title='Fadado'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1623531781659336368</id><published>2009-10-09T17:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T18:45:41.576-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Serei feliz, bem feliz</title><content type='html'>Nestes dias sem glória, &lt;br /&gt;Vão-se as horas&lt;br /&gt;Ficam o vão&lt;br /&gt;E o silêncio&lt;br /&gt;Que só o &lt;a href="http://www.pixinguinha.com.br/sitio/index.php"&gt;choro&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Vem romper e preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha, poesia!&lt;br /&gt;Enxarque-me desse chorinho bom&lt;br /&gt;Traz-me este tempo áureo&lt;br /&gt;De amor e de samba&lt;br /&gt;Que eu também quero ter muito&lt;br /&gt;Sono&lt;br /&gt;De manhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:300px;"&gt;&lt;object width="300" height="110"&gt;&lt;param name="movie" value="http://media.imeem.com/m/u45H7047-T/aus=false/"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://media.imeem.com/m/u45H7047-T/aus=false/" type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="110" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="background-color:#E6E6E6;padding:1px;"&gt;&lt;div style="float:left;padding:4px 4px 0 0;"&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/embedsearch/E6E6E6/" border="0"  /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;form method="post" action="http://www.imeem.com/embedsearch/" style="margin:0;padding:0;"&gt;&lt;input type="text" name="EmbedSearchBox" /&gt;&lt;input type="submit" value="Search" style="font-size:12px;" /&gt;&lt;div style="padding-top:3px;"&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=0&amp;ek=u45H7047-T" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/152/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=1&amp;ek=u45H7047-T" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/153/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=2&amp;ek=u45H7047-T" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/154/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=3&amp;ek=u45H7047-T" rel="nofollow" &gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/155/10/u45H7047-T/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/form&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/people/k9Z4PO/music/j1jKU0NZ/chico-buarque-samba-e-amor/"&gt;Chico Buarque - Samba e amor - &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1623531781659336368?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1623531781659336368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1623531781659336368' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1623531781659336368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1623531781659336368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/10/serei-feliz-bem-feliz.html' title='Serei feliz, bem feliz'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-6207282324434022752</id><published>2009-09-20T07:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T18:49:42.297-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Oração da resignação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_GHuI1d9pbKc/SpP83TEgd8I/AAAAAAAAAug/MEAcPYuT8FY/s400/paciencia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_GHuI1d9pbKc/SpP83TEgd8I/AAAAAAAAAug/MEAcPYuT8FY/s400/paciencia.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor, &lt;br /&gt;Me ajude a ser tolerante&lt;br /&gt;Que é para eu aceitar a ignorância alheia&lt;br /&gt;Me ajude a ser mansa&lt;br /&gt;Que é para eu perdoar as ofensas gratuitas&lt;br /&gt;Me ajude a ser pacífica&lt;br /&gt;Que é para eu ignorar o caos e a crueldade&lt;br /&gt;Permita também, Senhor, que eu perca a consciência depois&lt;br /&gt;Que é para eu poder conviver comigo mesma&lt;br /&gt;Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-6207282324434022752?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/6207282324434022752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=6207282324434022752' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6207282324434022752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6207282324434022752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/09/oracao-da-resignacao.html' title='Oração da resignação'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_GHuI1d9pbKc/SpP83TEgd8I/AAAAAAAAAug/MEAcPYuT8FY/s72-c/paciencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5312553747635252405</id><published>2009-09-04T18:15:00.000-07:00</published><updated>2011-09-04T09:41:42.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>O amor da sua vida</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://graphics8.nytimes.com/images/2005/09/18/fashion/18tab1.xl.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://graphics8.nytimes.com/images/2005/09/18/fashion/18tab1.xl.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 250px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 583px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“That Kind of Woman” (1959) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor da sua vida não vem a cavalo. Quer dizer, às vezes até vem sim, mas só quando cavalo é o meio de transporte popular nas redondezas. Pode esquecer o alazão, o porte de príncipe e todo o resto. &lt;br /&gt;O amor da sua vida geralmente não vem com a cara do Brad Pitt, a inteligência e perspicácia do Lumet, o humor do Veríssimo, nem a poesia do Pessoa. Amor da sua vida que se preze não tem tempo para ser tudo isso. Basta senso de humor para superar as adversidades e vamos que vamos. Dê-se por satisfeita, oras.&lt;br /&gt;O amor da sua vida não abre a porta do restaurante a vida inteira, nem elogia a sua roupa da moda ou seu novo corte de cabelo. Não que o amor da sua vida seja um grosseirão, não. É que detalhes tão pequenos de vocês dois só seriam coisas muito grandes para esquecer se vocês estivessem separados. Se o amor da sua vida reparar que você está diferente, por exemplo, já é motivo para comemoração. Para quê forçar a barra?&lt;br /&gt;O amor da sua vida não discute a relação. O amor da sua vida tem horror em discutir a relação. Aliás, o amor da sua vida não entende porque a relação tem que ser discutida. Discussão é sinônimo de briga. E briga é coisa que amor da sua vida evita. Sabe aquela frase “Faça amor, não faça guerra”?  Com certeza foi o amor da vida de alguém quem disse isso na hora de discutir a relação.&lt;br /&gt;O amor da sua vida não é necessariamente bom partido. Aliás, se ele for filiado a algum partido já é bom sinal. Sinal de que o amor da sua vida é engajado em alguma coisa além de futebol, cerveja e churrasco. O que não quer dizer que a sua mãe não vá jogar na sua cara para sempre que o amor da sua vida não era bom partido. Mas é que o amor da vida dela também não era. Com todo o respeito. Mãe que é mãe acha defeito até no amor da sua vida.&lt;br /&gt;O amor da sua vida não vem com garantia, embora apresente vários defeitos de fábrica. Mas afinal de contas, você também não é nenhuma Sophia Loren da década de 60, e é cheia de manias que, convenhamos, o amor da sua vida até finge não ver. É que o amor da sua vida não ficou sonhando com princesa de conto de fada nem com mocinha de novela das seis a vida toda. O grande amor da sua vida sabe muito bem quem você é te ama assim mesmo. Senão, não seria o amor da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5312553747635252405?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5312553747635252405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5312553747635252405' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5312553747635252405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5312553747635252405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/09/o-amor-da-sua-vida.html' title='O amor da sua vida'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7966724013081932195</id><published>2009-08-18T21:17:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T16:41:18.391-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>hora de voltar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/Sot_MAvtn4I/AAAAAAAAALY/e0ec6MxY9R4/s1600-h/Immigrants.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/Sot_MAvtn4I/AAAAAAAAALY/e0ec6MxY9R4/s320/Immigrants.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371526824904728450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan atravessou o estacionamento a passos largos. Era a primeira vez que recorria ao ato desesperado de juntar-se ao grupo de mexicanos que diariamente encontrava-se nas imediações daquela grande loja de materiais de construção na frágil esperança de conseguir um emprego por um dia ou mesmo por algumas horas. &lt;br /&gt;Embora aparentasse displicência no jeito de andar, sua revolta íntima não escaparia a um bom observador. Só ele sabia quantos sacrifícios havia feito desde o dia em que deixara Guadalajara até aquele exato momento. Tudo em vão. &lt;br /&gt; __Juan! Juan! Ya está. Ven aquí.&lt;br /&gt;Tarde demais para voltar atrás. Emílio, seu amigo de travessia, chamava-o para junto do grupo reunido a uma certa distância. Ele certamente faria alguma piada a respeito de sua presença ali. Juan entenderia. Muitas vezes gabara-se de sua educação e posição em sua cidade natal. Repetira inúmeras vezes que se pagara um coiote para atravessar a fronteira o fizera tão somente para se aventurar pela América onde, certamente, encontraria trabalho fácil. Seu plano era simples: trabalhar e voltar ao México dentro de um ano com os bolsos lotados de dólares para começar a vida. &lt;br /&gt;Quatro anos e meio depois, lá estava Juan: sem dinheiro, sem trabalho, sem documento, sem previsão de quando voltar. Descobrira rapidamente que de nada lhe valia seu diploma de Engenheiro Civil pela Universidade Jesuíta de Guadalajara. Ali ele não era ninguém. Ali era apenas mexicano; um imigrante de algum país de língua espanhola; uma mera estatística. &lt;br /&gt;Fazia muito frio naquela manhã e assim que se juntou aos homens os quais, vestindo casacos, luvas e toucas, conversavam animadamente entre si, recebeu de Emílio um copo de papel com café fresco. Trocou poucas palavras com alguns deles e limitou-se a escutar o que diziam. Causava-lhe grande desconforto aquela situação. Talvez porque finalmente entendera o quão erroneamente havia alimentado a ilusão de possuir uma certa vantagem em relação àqueles homens rudes e simples. Desde sua chegada aos Estados Unidos ele próprio fora vítima do mesmo vilão que separa os homens de carne e osso dos demais: o sentimento de superioridade. Ele, que havia aprendido inglês em cursos particulares, pagos com sacrifício pelo pai professor, percebeu, para seu espanto, que sua fisionomia e sotaque fechariam todas as portas diante de si naquele país, e que sua inteligência, conhecimento ou habilidades pouco interessariam aos empregadores. Relembrou alguns de seus trabalhos com pesar. Jamais fora tratado com respeito e sequer fora capaz de juntar dinheiro.  Muitas vezes desejou voltar ao seu país. Mas o orgulho falara mais alto. Como voltar de mãos abanando depois de tantas promessas? &lt;br /&gt;Ao avistarem a primeira grande “pick up”, alguns dos homens ensaiaram aproximação. Nada.  Esse ritual se repetiu algumas vezes antes do almoço sem sucesso. Enquanto dividia seu sanduíche com Juan, Emílio contava a todos em detalhe  seu acidente de trânsito que quase o levara a ser descoberto pela imigração semanas atrás.  Juan a tudo ouvia sem interesse. Observava os calos das mãos e pensava na ironia daquela hora. Sonhara um dia projetar pontes e edifícios, no entanto, tudo que desejava agora era conseguir um emprego de pedreiro por um dia que garantisse alimento para o mês. O que diriam seus pais se o vissem assim?&lt;br /&gt;Conhecera uma americana há uns dois anos atrás disposta a casar no papel mediante certa quantia da qual ele não dispunha na época. Chegara a acreditar ser esta sua salvação. O casamento de fachada possibilitaria documentação legal, pensara. Mas há muito resolvera desistir de tal intento. O processo, além de lento e custoso, não era garantido. &lt;br /&gt;Súbito, dois homens altos se aproximaram do grupo que, desconfiado, procurou se dispersar. O mais jovem deles tratou de explicar que precisavam de homens fortes para um trabalho pesado. Corte de madeira. Ansiosos, muitos deles, entre os quais encontrava-se Emílio, apressaram-se em se apresentar para o trabalho que surgia milagrosamente no meio do dia. Juan ensaiou algumas palavras, mas os dois homens rapidamente escolheram dez do grupo que os acompanharam em duas mini-vans sem que sua pessoa fosse sequer notada. Resignado, acendeu seu último cigarro e voltou para o quarto que alugava perto dali. &lt;br /&gt;Semanas mais tarde, ainda sem notícias de Emílio e os outros compatriotas, Juan buscava anúncios nos jornais locais quando fora tragado por imensa onda de pavor ao ler uma pequena nota a respeito de dez homens não identificados encontrados mortos, todos baleados na nuca, em área remota destinada a reflorestamento. O jornal mencionava vagamente a origem hispânica dos dez homens e a “dificuldade” da polícia em iniciar as investigações. Um suor frio escorreu pela testa cansada de Juan. &lt;br /&gt;Era hora de voltar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:300px;"&gt;&lt;object width="300" height="110"&gt;&lt;param name="movie" value="http://media.imeem.com/m/tBwkRWVCX8/aus=false/"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://media.imeem.com/m/tBwkRWVCX8/aus=false/" type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="110" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="background-color:#E6E6E6;padding:1px;"&gt;&lt;div style="float:left;padding:4px 4px 0 0;"&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/embedsearch/E6E6E6/" border="0"  /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;form method="post" action="http://www.imeem.com/embedsearch/" style="margin:0;padding:0;"&gt;&lt;input type="text" name="EmbedSearchBox" /&gt;&lt;input type="submit" value="Search" style="font-size:12px;" /&gt;&lt;div style="padding-top:3px;"&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=0&amp;ek=tBwkRWVCX8" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/152/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=1&amp;ek=tBwkRWVCX8" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/153/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=2&amp;ek=tBwkRWVCX8" rel="nofollow"&gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/154/10/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/ads/banneradclick.ashx?ep=3&amp;ek=tBwkRWVCX8" rel="nofollow" &gt;&lt;img src="http://www.imeem.com/ads/bannerad/155/10/tBwkRWVCX8/" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/form&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href="http://www.imeem.com/artists/roberto_carlos/music/wl1_m1o9/roberto-carlos-despedida/"&gt;Despedida - Roberto Carlos&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7966724013081932195?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7966724013081932195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7966724013081932195' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7966724013081932195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7966724013081932195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/08/hora-de-voltar.html' title='hora de voltar'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/Sot_MAvtn4I/AAAAAAAAALY/e0ec6MxY9R4/s72-c/Immigrants.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2981182466263923728</id><published>2009-08-17T06:01:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T07:17:56.112-07:00</updated><title type='text'>Your words were heard</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SolXhmsc60I/AAAAAAAAALI/1YWCbIh6I4c/s1600-h/-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 249px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SolXhmsc60I/AAAAAAAAALI/1YWCbIh6I4c/s400/-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370920265450318658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sortedconfusion.com/"&gt;http://www.sortedconfusion.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your words were heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un-filtered and un-organized&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misogynistic and ballistic&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They hit the heart like stones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crushing souls and self-esteems&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flew out your mouth at mach 1 speeds&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bouncing off bodies and infecting minds&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your words were heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Captivating a captive audience&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of clones they fly like drones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tumbling their target to ruins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infesting bodies like parasites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sharp to the jugular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No restraint or compassion&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Only hope for a reaction&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In order to spit spit spit&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seeping in veins like venom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shocking, stopping dropping&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The victim to their knees&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submit submit submit&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Like thick clouds bringing&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rain and thunder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gas chambers rows and rows&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gasping for air but&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;more pressures added&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your words were heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racist hooded kings&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afraid to unmask&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Today is not like the past&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Not as free but yet&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They sail across the seas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Words for sale Nigger you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kaffir me, spic speak up&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apples land they seized&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;After they transferred disease&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dago Italiano they don’t have&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limits on color or ethnicity&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your words were heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarations of war&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bomb fires erased stories&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;God is great but I love him more&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You use the words to confuse, arouse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To build a following&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;While in turn you divide set back&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And drive humanity towards destruction&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your words were heard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heard to uplift break down&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barriers, stereotypes and division&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Before you spoke you had a mission&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Not to embarrass, humiliate or gain&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A submission instead to mend, console&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And drive for change rearranged in your mind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thoughts on the listener organized and sentimental&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;YOUR WORDS WERE HEARD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BY Kareem R. Muhammad&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-2981182466263923728?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/2981182466263923728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=2981182466263923728' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2981182466263923728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2981182466263923728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/08/your-words-were-heard.html' title='Your words were heard'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SolXhmsc60I/AAAAAAAAALI/1YWCbIh6I4c/s72-c/-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2399070848173693231</id><published>2009-07-24T19:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T19:44:18.622-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Defina “tempo”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0eObM6GMEso/SUMGCpJ8sGI/AAAAAAAAAEY/FGduHT5NK-M/s400/asas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 330px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0eObM6GMEso/SUMGCpJ8sGI/AAAAAAAAAEY/FGduHT5NK-M/s400/asas.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Asas” - &lt;a href="http://www.fiu.edu/~interad/Suzart.htm"&gt;SUZART&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(artsuzart.blogspot.com)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correndo contra a ampola da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sigo e procuro a saída do labirinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ser Ícaro e voar daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas asas&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-2399070848173693231?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/2399070848173693231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=2399070848173693231' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2399070848173693231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2399070848173693231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/07/tela-asas-suzart-correndo-contra-ampola.html' title='Defina “tempo”'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0eObM6GMEso/SUMGCpJ8sGI/AAAAAAAAAEY/FGduHT5NK-M/s72-c/asas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-3387202715500768422</id><published>2009-06-24T12:50:00.000-07:00</published><updated>2009-06-24T12:53:50.180-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Spinning</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Girando girando&lt;br /&gt;A vida girou&lt;br /&gt;Diante dos olhos&lt;br /&gt;Girou girou&lt;br /&gt;As meninas&lt;br /&gt;E seus sorrisos&lt;br /&gt;Girando Girando&lt;br /&gt;No peito&lt;br /&gt;O coração&lt;br /&gt;Girou girou&lt;br /&gt;A verdade e&lt;br /&gt;A consequência&lt;br /&gt;Brincando e girando&lt;br /&gt;O pavor e o clamor&lt;br /&gt;Girando girando&lt;br /&gt;O cheiro de chuva&lt;br /&gt;O abismo e a janela&lt;br /&gt;Girando girando&lt;br /&gt;Tudo&lt;br /&gt;Parou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-3387202715500768422?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/3387202715500768422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=3387202715500768422' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/3387202715500768422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/3387202715500768422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/06/spinning.html' title='Spinning'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5533787630339730554</id><published>2009-06-17T20:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T14:31:52.890-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Cor-de-rosa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://petalas.blogs.sapo.pt/arquivo/mae%20e%20filha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 274px; height: 180px;" src="http://petalas.blogs.sapo.pt/arquivo/mae%20e%20filha.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundos após o soar do sino da saída, os corredores da escola foram completamente tomados pelas crianças sadias que corriam felizes e barulhentas ao encontro dos pais que já as aguardavam  nos portões.&lt;br /&gt;Luiza estava mais ansiosa que o normal naquela tarde e isso era possível perceber no seu gesto nervoso de chacoalhar as chaves do carro. De onde estava podia observar os grupos de mães que conversavam entre si, muito animadas, com seus belos cabelos escovados, suas roupas de grifes famosas, suas bolsas caras, conversando sobre suas vidas interessantes, seus problemas água-com-açúcar, seus esposos bem sucedidos e seus filhos hiperativos.  Ela também já desejara aquela redoma de vidro, aquela peneira tapando o sol. Admitia sem vergonha que sonhara secretamente com aquela vida clichê e cor-de-rosa, a qual ignorava o sofrimento alheio, que fingia desconhecer  as dores que assolam o resto da humanidade, os problemas sociais, o caos urbano e a política, para se dedicar exclusivamente ao marido e aos filhos. Também ela sonhara com a vida dos romances para moças,com as juras de amor, com o casamento perfeito, os jantares à luz de vela, o amor que dura a vida inteira.&lt;br /&gt;Arriscaria dizer que, caso não tivesse sido tragada pela realidade há seis anos atrás, talvez até fizesse agora parte daquele grupo de jovens senhoras risonhas que evidentemente interpretava de forma elegante seu papel na sociedade. Riu de seu próprio sarcasmo e aprumou-se, voltando sua atenção para a porta da escola. Juliana não tardaria a aparecer.&lt;br /&gt;Reconheceu então a figura da filha tão caprichosamente penteada, segurando a mão de uma amiguinha com quem conversava alegre, enquanto, ao contrário das outras crianças, caminhava calmamente em direção ao pátio. Ao vê-la, Juliana despediu-se da amiga com um abraço e só então precipitou-se a correr em sua direção.&lt;br /&gt;Ela havia esperado por aquele abraço de criança durante todo o casamento. Planejara tudo como era de seu costume: escolheu nomes, calculou seus dias férteis e até a data aproximada do nascimento do bebê que haveria de coroar seu feliz matrimônio. Preparou seu próprio chá de bebê, decorou o quartinho com amor e requinte e escolheu com carinho cada peça do enxoval. Juliana fora muito esperada. O que veio depois dela não.&lt;br /&gt;Perguntou-lhe como havia sido seu dia e, levando-a nos braços, ouviu com atenção cada detalhe do seu relatório infantil, beijando-lhe as faces rosadas entre uma história e outra até alcançarem o carro. Era sexta-feira, e Juliana passaria o sábado com o pai, como o combinado. André, apesar de tudo, estava presente na vida da filha.&lt;br /&gt;Antes de irem para casa, deram um pulo na farmácia do bairro. Precisava da cura para sua ansiedade e teria o sábado todo para tratá-la. Além disso, queria saber a resposta antes de seu rápido encontro com o ex-marido.&lt;br /&gt;Já na entrada do estabelecimento, Luiza percebeu alguns olhares curiosos, com os quais há muito se habituara. Ignorou-os como sempre e ainda segurando a mãozinha da filha interpelou o farmacêutico sem constrangimento quanto aos testes de gravidez. Pousou os olhos num dos kits por longo tempo, perguntando-se como deixara aquilo acontecer. No fundo, sabia que não necessitava daquele teste. Tinha absoluta certeza de que carregava um filho de André  e isso causava-lhe imenso pavor. Passou a mão pelos cabelos de Juliana e pela primeira vez teve medo.&lt;br /&gt;Por fim decidiu levar o teste e enquanto pagava por ele ouviu um riso solto de criança.&lt;br /&gt;__ Olha, mamãe – disse divertido um garoto, apontando para Juliana. Que menina engraçada.&lt;br /&gt;__ Não ria, meu filho. – respondeu a mãe. Não vê que a  menina é doente?&lt;br /&gt;__ Ela não é doente. – replicou Luiza com voz firme. Ela nasceu com Síndrome de Down.&lt;br /&gt;E saiu da farmácia com Juliana sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************&lt;br /&gt;&lt;a href="http://%20www.sindromededown.com.br"&gt;&lt;br /&gt;www.sindromededown.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sosdown.com"&gt;www.sosdown.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.carpediem.com.br"&gt;www.carpediem.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.reviverdown.org.br"&gt;www.reviverdown.org.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5533787630339730554?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5533787630339730554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5533787630339730554' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5533787630339730554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5533787630339730554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/06/segundos-apos-o-soar-do-sino-da-saida.html' title='Cor-de-rosa'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7127338531409148176</id><published>2009-06-07T20:16:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T21:10:37.503-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><title type='text'>Às sete em ponto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h6Wi8Evq5Zc/SQ2VoOcnwTI/AAAAAAAAB3o/K4Y6igjdIw8/s400/relogios.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h6Wi8Evq5Zc/SQ2VoOcnwTI/AAAAAAAAB3o/K4Y6igjdIw8/s400/relogios.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio de parede ainda marcava cinco horas da manhã quando Solange saiu trancando a porta. Desceu rapidamente as escadarias da favela, como se desejasse deixar para trás a visão dos quatro filhos pequenos dormindo amontoados na única cama do barraco. A neblina da manhã cobria a cidade de São Sebastião, que, lá embaixo, parecia ainda não ter acordado.&lt;br /&gt;Eram todos homens. Os filhos. Solange repetia sempre este pensamento quando o futuro incerto deles a atormentava como agora. Consolava-a saber que não menstruariam, tampouco seriam violentados ou engravidariam de algum vagabundo. Certamente não tomariam surras diárias de alguém bêbado que sequer dormia em casa mas exigia comida, roupa lavada e dinheiro para gastar sabe Deus lá com o quê e com quem.&lt;br /&gt;O ponto de ônibus, apesar da hora, já estava lotado de trabalhadores, todos cheirando a sabonete e a maioria de uniforme, como ela. Provavelmente estariam indo para a Zona Sul, trabalhar para alguma madame, doutor ou coisa parecida, pensava. Cumprimentou alguns conhecidos com certa vergonha. Evitava-os todos, pois sabiam da sua vida e a olhavam ora com pena, ora com reprovação.&lt;br /&gt;Procurou o vale-transporte na carteira em vão. O Zé sempre surrupiava seus vales para trocar, o infeliz. Por conta disso perdeu a conta das vezes que precisara engolir a dignidade e pedir o trocador para passar debaixo da roleta. Recorreu discretamente ao dinheiro que ela escondia no sutiã (destinado a comprar o pão dos patrões) enquanto seu ônibus se aproximava.&lt;br /&gt;Sentou-se atrás de um rapaz de mochila e pensou no Samuca, seu filho mais velho. Menino de ouro. Antes de sair para escola, dava café com pão para os irmãos, penteava, escovava e levava os três para a vizinha lavadeira que, em troca de ficar com os meninos até que Samuca voltasse, fazia o rapazinho passar e às vezes até entregar as roupas que ela lavava para fora. Solange não gostava muito dessa história, não, mas não tinha outro jeito. Sua patroa fazia questão que ela pegasse no batente antes do patrão acordar  até tarde da noite, quando ele voltava do trabalho e Solange lhe servia o jantar. Como ela tinha os meninos, não podia dormir no trabalho, mas precisava chegar e sair na hora para garantir o emprego.&lt;br /&gt;Sentindo-se ainda um pouco enjoada com o balanço do ônibus, saltou um ponto antes da padaria e resolveu ir andando para tomar um ar. O dia finalmente começava a clarear. Mas o cheiro do pão fresco que agora levava, e o qual geralmente dava-lhe prazer, naquele momento provocou-lhe ainda mais náusea e foi-lhe difícil chegar à portaria do prédio. Sebastião, o porteiro do turno da manhã, havia acabado de chegar e saudou Solange com a malícia costumeira e que lhe era tão desagradável. Mas até o sujeitinho percebeu que ela não estava se sentindo bem e, fingindo preocupação, perguntou:&lt;br /&gt;__ Tá passando mal, morena? Senta aqui um pouco – disse, apontando para a cadeira atrás do balcão.&lt;br /&gt;Morena era como geralmente os mal-intencionados, ignorantes ou racistas camuflados chamavam Solange, negra bonita, ainda muito jovem e de corpo bem feito.&lt;br /&gt;Solange respondeu com um gesto impaciente e subiu em seguida para o apartamento dos patrões. Eram quase seis e meia e ela precisava passar o café e pôr a mesa. Fez tudo com o perfeccionismo que lhe era particular. Os patrões sentariam-se à mesa e lhe dariam bom dia como de costume pontualmente às sete horas.&lt;br /&gt;Seis e cinquenta e cinco. Solange não suportou mais. Correu em direção ao banheiro dos fundos e vomitou um líquido claro e gosmento. Não havia jantar ou café da manhã em seu estômago. Sentiu-se muito fraca e um pensamento terrível lhe veio à mente, fazendo seu corpo todo estremecer. Lavou o rosto freneticamente na pia como a espantar aquela inconcebível possibilidade. Desesperada, voltou para a copa no momento em que doutor Conrado e dona Marcela apontaram na porta.&lt;br /&gt;Pensou nos meninos. Pensou no Samuca e no barraco com uma cama só. Pensou no maldito do Zé. Passou a mão pelo ventre e foi servir o café dos patrões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7127338531409148176?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7127338531409148176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7127338531409148176' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7127338531409148176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7127338531409148176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/06/as-sete-em-ponto.html' title='Às sete em ponto'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h6Wi8Evq5Zc/SQ2VoOcnwTI/AAAAAAAAB3o/K4Y6igjdIw8/s72-c/relogios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-6591228147022991013</id><published>2009-05-27T21:42:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:13:42.189-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Sem manual</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.edmunds.com/media/ownership/parts/car.owners.manual.online/owners.manual.500.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 500px; height: 315px;" src="http://www.edmunds.com/media/ownership/parts/car.owners.manual.online/owners.manual.500.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passam numa velocidade incrível, mas a gente nem nota. A gente não vê porque as responsabilidades crescem, assim como as tarefas diárias, enquanto o tempo parece diminuir.&lt;br /&gt;Hoje, por alguns minutos preciosos dentro da minha corrida e – nas últimas semanas – pesada rotina, eu me dei conta do absurdo que a vida se torna quando você não percebe que, bem debaixo do seu nariz, o mundo está a girar (e… pior!) independente da sua vontade.&lt;br /&gt;No meio do meu stress e caos mental, eu vi uma luz que, embora tenha durado pouco, me fez notar a patética figura que me tornei. Eu vi que as meninas cresceram e crescem, aprendem, desenvolvendo seus cérebros em formação, suas personalidades, suas características físicas. Eu vi que envelheci. Eu vi que apesar da dedicação em cumprir as responsabilidades diárias, eu estava deixando de lado a parte que mais interessa – o motivo pelo qual desejamos ter filhos: (tempo) para amar e sermos amados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijei muito e me deixei ser beijada, pisoteada, penteada, babada (!), abraçada… Senti que um amor maior que a vida tomava conta da minha sala na forma de duas menininhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas infelizmente o meu cérebro doente já ficou imaginando que horas eram, quem iria tomar banho primeiro, a que horas jantariam, as notas das minhas turmas a serem lançadas e outras coisas sem a menor IMPORTÂNCIA. E mais uma vez eu voltava para a matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, exausta, atirada no sofá, admito envergonhada que senti uma pena muito grande de mim mesma, sentimento muito pobre e feio, mas inevitável às vezes. Senti uma vontade enrome de gritar e dizer que não é justo, sair correndo ou me teletransportar  para a minha amada terra natal, para o colo da maezinha, para os braços do pai querido que não vejo há 2 anos e que sequer conhece a neta caçula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente a vida não vem com manual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-6591228147022991013?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/6591228147022991013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=6591228147022991013' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6591228147022991013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6591228147022991013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/05/sem-manual.html' title='Sem manual'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7912280640905932260</id><published>2009-05-07T20:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:14:01.001-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Interrupção</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://farm4.static.flickr.com/3146/2635847700_98fd3b76bb_o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 308px;" src="http://farm4.static.flickr.com/3146/2635847700_98fd3b76bb_o.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de rodar por horas sem ter certeza de seu destino, Fernanda foi delicadamente solicitada pelo trocador a se retirar do ônibus, que finalmente chegara ao seu destino final: a rodoviária. Um pouco desnorteada, a moça se levantou com certo esforço e procurou aparentar controle, embora sequer pudesse sentir o chão. Alcançou com bastante dificuldade um orelhão, mas, enquanto procurava um cartão telefônico na bolsa, concluiu que não havia pessoa para quem pudesse ligar naquele momento. Por mais que tentasse, não conseguia concatenar as idéias, tampouco sabia ao certo que sentimento lhe ia na alma. Alma? Pela primeira vez na vida cogitava sua existência e um calafrio lhe percorria a espinha.&lt;br /&gt;Uma dor aguda interrompeu seus pensamentos. Temeu perder os sentidos e acordar num hospital. Esta razão a impulsionou a desistir da ligação impossível e procurar o banheiro.  Colheu algumas moedas no bolso da calça jeans e estendeu à mulher na roleta, que lhe apontou os pedaços de papel higiênico pré-cortados e dobrados em pequenos pedaços dispostos de maneira organizada numa prateleira. Notou que uma outra mulher passava pano molhado no chão, cantarolando uma melodia gospel que vinha de um rádio de pilha perto da pia.&lt;br /&gt;Escolheu ao acaso o pedaço de papel higiênico a que tinha direito e concentrou sua atenção na geografia daquele banheiro de rodoviária. Precisava de privacidade e queria estar o mais afastada possível da porta de entrada. Concentrou suas forças neste intento, mas foi bruscamente interrompida por aquela dor que insistia em vingar-se dela.Fernanda precisou apoiar-se na pia para não cair e este gesto chamou a atenção da mulher que cantava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Moça. Você está sangrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ela sangrava muito além daquele sangue, o qual agora pintava de vermelho o chão que a mulher acabara de limpar.&lt;br /&gt;De um salto a mulher segurou Fernanda pelos braços e a arrastou até uma cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Você está machucada? Maria, vá chamar alguém, meu Deus. A moça precisa de uma ambulância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda sentia uma enorme vontade de não mais existir. Fechou os olhos e desejou profundamente se esvair junto com aquela hemorragia. Mas abriu-os novamente e, segurando gentilmente a mão daquela desconhecida, pediu-lhe que não chamasse ninguém.  A mulher então deitou seus olhos de mãe naquela jovem que sangrava inexplicavelmente no chão de um banheiro público e sentiu uma compaixão maior que si mesma. Perguntou se ela desejava ligar para alguém vir buscá-la, mas Fernanda recusou. A calça jeans estava agora banhada em sangue, mas o sangramento parecia ter diminuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Raimunda, o que eu faço? – perguntou a mulher da entrada.&lt;br /&gt;--- Feche a porta e vá comprar uma calça para essa moça com o meu dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher obedeceu e Fernanda ouviu quando ela saiu, trancando a porta. Munida de uma toalha surrada e sabonete, Raimunda ajudou a moça a dirigir-se a um dos chuveiros, onde ela, sentada numa cadeira de plástico, tomara um rápido e sofrido banho.&lt;br /&gt;Minutos depois Fernanda estava novamente vestida e limpa. Sentada a um canto do banheiro, ao ver aquelas duas mulheres tão bondosas limparem seu sangue espalhado pelo chão, sentiu finalmente que as lágrimas caíam sem cessar e a dor que sentia ia aquém daquela que há pouco ameaçara-lhe a vida.&lt;br /&gt;O banheiro teve as portas reabertas e Fernanda despediu-se de cada uma das duas mulheres com um abraço, prometendo voltar para pagar a ajuda recebida.&lt;br /&gt;Quando ela se foi, Maria viu que a amiga chorava enquanto reajustava a estação de rádio. Ela entendia. Já havia feito aborto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: center; color: rgb(204, 0, 0);font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0); font-style: italic;font-size:100%;" &gt;               Minha mãe -&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0); font-style: italic;font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;b&gt;Vinicius de Moraes&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;       Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo&lt;br /&gt;       Tenho medo da vida, minha mãe.&lt;br /&gt;       Canta a doce cantiga que cantavas&lt;br /&gt;       Quando eu corria doido ao teu regaço&lt;br /&gt;       Com medo dos fantasmas do telhado.&lt;br /&gt;       Nina o meu sono cheio de inquietude&lt;br /&gt;       Batendo de levinho no meu braço&lt;br /&gt;       Que estou com muito medo, minha mãe.&lt;br /&gt;       Repousa a luz amiga dos teus olhos&lt;br /&gt;       Nos meus olhos sem luz e sem repouso&lt;br /&gt;       Dize à dor que me espera eternamente&lt;br /&gt;       Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa&lt;br /&gt;       Do meu ser que não quer e que não pode&lt;br /&gt;       Dá-me um beijo na fonte dolorida&lt;br /&gt;       Que ela arde de febre, minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Aninha-me em teu colo como outrora&lt;br /&gt;       Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas&lt;br /&gt;       Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.&lt;br /&gt;       Dorme. Os que de há muito te esperavam&lt;br /&gt;       Cansados já se foram para longe.&lt;br /&gt;       Perto de ti está tua mãezinha&lt;br /&gt;       Teu irmão. que o estudo adormeceu&lt;br /&gt;       Tuas irmãs pisando de levinho&lt;br /&gt;       Para não despertar o sono teu.&lt;br /&gt;       Dorme, meu filho, dorme no meu peito&lt;br /&gt;       Sonha a felicidade. Velo eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo&lt;br /&gt;       Me apavora a renúncia. Dize que eu fique&lt;br /&gt;       Afugenta este espaço que me prende&lt;br /&gt;       Afugenta o infinito que me chama&lt;br /&gt;       Que eu estou com muito medo, minha mãe. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;             &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7912280640905932260?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7912280640905932260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7912280640905932260' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7912280640905932260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7912280640905932260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/05/interrupcao.html' title='Interrupção'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-922408441753437744</id><published>2009-04-14T19:56:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:14:26.152-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Menina Mãe</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://literatura.moderna.com.br/capas/Moderna/85-16-03624-3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 604px;" src="http://literatura.moderna.com.br/capas/Moderna/85-16-03624-3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro era “Menina mãe”, de Maria da Glória Cardia de Castro. Eu era uma menina que adorava ler. Salma, a personagem principal, era uma menina de 13 anos que engravidara embora fosse ainda virgem. A leitura fora muito sofrida para mim, que nada conhecia sobre sexo (assim como Salma), e muito menos sobre a frieza, o preconceito e a falta de generosidade alheias.&lt;br /&gt;Entre lágrimas, comentei com minha mãe sobre o livro assim que terminara. Ela, muito acanhada e tímida em relação ao assunto, resolveu ler também e, aparentemente, sentiu as mesma emoções que eu.&lt;br /&gt;Dias depois, lá estávamos, mãe e filha (talvez mais próximas que antes) numa dessas manicures que toda vizinhança tem, ouvindo, enquanto esperávamos, as fofocas, as indiscrições, os comentários – ora maldosos, ora cruéis – todos desprovidos de qualquer preocupação com o direito que cada um tem de ser e fazer o que bem desejar, desde que não prejudique o outro.&lt;br /&gt;Fora minha mãe quem introduzira o assunto. Um rápido comentário sobre o livro “Menina Mãe” e em questões de segundo um exército se formara contra ela, comandado pela própria manicure, que, mãe de uma menina da minha idade (11 anos), deixara bem claro que “filha sua” não lia este tipo de livro. Minha mãe ainda tentou argumentar sobre a importância educativa do livro,  mas tudo em vão. Jamais me esqueci da cara de desaprovação da manicure, tampouco da vergonha muda e educada de minha mãe naquela tarde quente.&lt;br /&gt;Alguns anos depois, já na faculdade, testemunhei a realidade irônica que a história de Maria da Glória Cardia de Castro retratava naquela obra: a filha adolescente da manicure engravidara e tivera um filho prematuro – sem “pai” – o qual passara seus primeiros quatro dias de vida no hospital, pois herdara a sífilis da mãe.&lt;br /&gt;Embora seja humana, em nenhum momento a julguei (sequer comentei com minha mãe, que morava então em outra cidade), apenas lembrei-me da sabedoria discreta de minha progenitora, que compreendera que informar é educar e que orientar e alertar é, também, proteger.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-922408441753437744?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/922408441753437744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=922408441753437744' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/922408441753437744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/922408441753437744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/04/menina-mae.html' title='Menina Mãe'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-9162119329845616631</id><published>2009-03-26T13:00:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:14:51.637-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Ai, que sono</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_CyQ3N0K5tnY/Roz7Zey8_aI/AAAAAAAAAHQ/dpCMmlBvs3k/s400/ANJO+CAIDO.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 370px; height: 370px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CyQ3N0K5tnY/Roz7Zey8_aI/AAAAAAAAAHQ/dpCMmlBvs3k/s400/ANJO+CAIDO.bmp" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aaaaaaaa…. Ai, que sono. Que sono, meu Deus. Que sono é esse que não me deixa? Que peso nos olhos. Não vejo a hora de dormir. O quê? Ainda são três da tarde? Eu tenho tanta coisa para fazer. Nem sei por onde começar. Ai, Orfeu. Agora não dá. Encolhe os braços, vai. Olha que eu tenho duas crianças para cuidar, casa para limpar, jantar para fazer, provas para corrigir… Bem que elas podiam tirar uma soneca agora na mesma hora. Ai, que bom seria.  Seria? Seria nada. Eu acabaria aproveitando para arrumar isso aqui, para ajeitar aquilo lá, dobrar isto tudo aqui.&lt;br /&gt;Ai que sono. Que sono. Não. Isso é psicológico. Que sono o quê. Sono é que nem frio. Não tô nem com um nem com outro. Tô bem. Imagine. Ficar com sono em plena luz do dia. Tudo bem que eu não durmo nunca à noite e acordo cedo, mas e daí? Deus não ajuda a quem cedo madruga? Então. Eu sou mais eu. Só que nem bombril. Que coisa triste, olha aí. Já estou até me comparando com bombril. Não, depressão, não. Só preciso de uma boa cama… quer dizer, de uma ducha. Isso. Um bom banho quente. Mas banho quente relaxa, né? Esquece. Vou passar um café. Ah, essa é boa! Até parece que eu aqui passo café. Desde quando esquentar a água no micro-ondas e usar café instantâneo é “passar” café? Xi. Só tem café decafeinado. Assim não dá. Então hoje ninguém vai jantar! As crianças não vão tomar banho, nem vão para cama na hora certa. Os alunos vão ficar sem notas e a casa vai ficar de cabeça para baixo. É isso?&lt;br /&gt;Mãe tinha que ter estepe.  Mãe devia ter direito a clone, babá ou  dublê. Melhor: toda mãe devia ter o direito de se auto-desligar durante 24 horas, no mínimo, uma vez por mês. E loteria? Só quem é mãe deveria jogar na loteria e ganhar. Ai que sono. Ai que saudade da comindinha da minha mãe. Ai que saudade da minha cama. A gente cuida de todo mundo. Quem é que cuida da gente?&lt;br /&gt;Quando eu me deitar, não vou dormir muito, já sei. O bebê vai acordar chorando. Toma a chupeta. Caiu. Pronto. A menina vai acordar chorando. Foi só pesadelo. Mamãe tá aqui. Pronto. O bebê vai acordar de novo. Toma, a mamadeira tá aqui. Pronto.&lt;br /&gt;Ai que sono. Que sono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-9162119329845616631?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/9162119329845616631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=9162119329845616631' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/9162119329845616631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/9162119329845616631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/03/ai-que-sono.html' title='Ai, que sono'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_CyQ3N0K5tnY/Roz7Zey8_aI/AAAAAAAAAHQ/dpCMmlBvs3k/s72-c/ANJO+CAIDO.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1838680833987027640</id><published>2009-03-19T19:27:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:15:21.458-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>A maldade nossa de cada dia</title><content type='html'>(desenho: Margarida Santos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cssernancelhe2.com.sapo.pt/criancas-desenhos-xxx-0003.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 508px; height: 364px;" src="http://cssernancelhe2.com.sapo.pt/criancas-desenhos-xxx-0003.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que a maldade humana consegue verdadeiramente me afetar. Por que será que eu não acho mais graça nas piadas politicamente incorretas? Por que será que o noticiário na tv me choca tanto e às vezes me leva às lágrimas? Por que será que os comentários maldosos ou despreocupados me machucam, mesmo quando não são a mim direcionados?&lt;br /&gt;Será que estou ficando tão velha assim? Será que meu lado mãe não aceita mais o egoismo nosso de cada dia e rejeita completamente a banalização da agressividade gratuita em gestos, ações e palavras?&lt;br /&gt;Por que será que a gente aprende tudo ao contrário? Por que nos ensinam a não levar desaforo para casa e a responder sempre à altura (não seria à “baixeza”?). Por que a gente acha que para ser forte é preciso se auto-afirmar  em cima de alguém mais fraco? Por que nos ensinam desde a infância que o “mundo é dos espertos” e que ser bom é ser otário?&lt;br /&gt;Quem nos deu liberdade de ferir a torto e a direito o sentimento alheio utilizando a franqueza como desculpa para tudo?&lt;br /&gt;Quem nos deu o direito de proferir (pseudo)verdades, doa (muito)a quem doer, em nome da nossa liberdade de expressão? Onde é que foi parar a preocupação com a reação e as consequências que nossas palavras causam nos outros?&lt;br /&gt;Fofoca, críticas nada construtivas, julgamento equivocado ou não… Cansei de tudo isso. Cansei dessa falta de respeito, dessa certeza de estar do lado da verdade, dessa maldade grosseira e camuflada. Cansei de moralismo barato e de comentários frívolos.&lt;br /&gt;Por que será que a gente cresce?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1838680833987027640?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1838680833987027640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1838680833987027640' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1838680833987027640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1838680833987027640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/03/maldade-nossa-de-cada-dia.html' title='A maldade nossa de cada dia'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5334146433672658966</id><published>2009-02-26T20:06:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:15:44.176-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Renascida das cinzas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://croagfilliu.files.wordpress.com/2007/02/fenix-ela.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 460px; height: 650px;" src="http://croagfilliu.files.wordpress.com/2007/02/fenix-ela.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quarta-feira de cinzas.  &lt;span&gt;&lt;/span&gt;Pela primeira vez desde que vim morar nos EUA, não me ressenti por não ter passado o carnaval na beira da praia, torrando ao sol de Cabo Frio, sobrevivendo de miojo e vinho. Pela primeira vez em anos eu não senti uma pontinha de inveja das amigas que até hoje exibem o corpinho sarado e dourado nas fotos que mostram seu sorriso ao lado de outros amigos em algum lugar paradisíaco no qual passaram o feriado prolongado, desejado, esperado e planejado o ano inteiro. Pela primeira vez eu não havia passado os cinco dias de carnaval maldizendo o frio de Connecticut, a neve, o trabalho que não tem folga em fevereiro ou a pele ligeiramente amarelada debaixo do suéter. Tampouco tive tempo de vasculhar a memória e ressuscitar os “melhores momentos” dos carnavais da minha vida, os amores passageiros, os porres, as decepções, as aventuras, as praias. Também esqueci das músicas marcantes, dos poemas, melodias e cheiros daquela época, que agora parece tão remota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me lembrava de que era quarta-feira de cinzas e de que amanhecera mais um dia no hospital onde minha filhinha de 2 anos e meio estivera internada desde sábado de carnaval por conta de um vírus que a deixou, entre outras coisas, desidratada. O corpinho frágil deitado no bercinho gelado do quarto parecia cada dia mais fraco. Levantei-me como que apoiada em algo ou alguém que não via, mas pressentia estar ali. Aproximei-me dela e pude perceber que seu peito já não mais arfava, a respiração estava calma. Seus lábios voltavam a ter cor e já não estavam mais rachados. Embora tivesse fundas olheiras, seu rosto não estava mais inchado. Sussurrei-lhe com doçura, com uma certeza que vinha de dentro do peito – não dos médicos – e  que desejava sair no grito: “Hoje vamos para casa, meu amor.”&lt;br /&gt;Aproveitando que ela dormia, decidi tomar meu banho. De dentro da bolsa que trouxera para o hospital, tirei o meu suéter rosa. O suéter que comprei para ir a uma festa a qual jamais compareci. O suéter rosa, de gola vê, com delicados detalhes em paetê. Era quarta-feira de cinzas, e eu decidi que vestiria aqueles paetês, e aquela cor vibrante. Decidi que tomaria meu banho e que, cheirando a sabonete, daria bom dia a minha filhinha com um sorriso. Eu tinha certeza que a levaria para casa naquele dia. Nenhum outro.&lt;br /&gt;Em casa, um marido exausto e um bebê de sete meses doentinho nos esperavam. Eles também precisavam de mim e eu deles. Sim. Iríamos, os paetês, a filhinha e eu, ao encontro do anjinho e do papai.&lt;br /&gt;Durante a manha toda, minha filha sorriu. Não vomitou, bebeu líquidos e fez xixi. Ensaiou umas dentadas na comida sem-sal do hospital e sentou-se no meu colo. Ela também sabia o que os médicos só decidiriam à tarde: ela iria para casa.&lt;br /&gt;Às 4 horas da tarde de quarta-feira, a médica deu-lhe alta. Atravessei os corredores do 7o andar do hospital infantil segurando uma versão esquelética da filhinha amada que dera entrada dias antes naquele quarto que íamos deixando para trás. A cada passo sentia as asas crescerem e se abrirem. Tal qual fênix, eu levantava vôo das cinzas, naquela quarta-feira. Saíra ferida, mas vitoriosa: rosa, paetês e esperança no peito, e carregando meu maior tesouro nos braços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5334146433672658966?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5334146433672658966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5334146433672658966' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5334146433672658966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5334146433672658966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/02/renascida-das-cinzas.html' title='Renascida das cinzas'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-8589301949069916306</id><published>2009-02-01T19:39:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:16:37.507-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Sofrer por antecipação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SYdmrxuFclI/AAAAAAAAAFc/BLkYF2oE6Vc/s1600-h/janelo_escuro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SYdmrxuFclI/AAAAAAAAAFc/BLkYF2oE6Vc/s320/janelo_escuro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298316388891718226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;[...] Um indivíduo que apenas detectasse estímulos e respondesse a eles viveria eternamente no presente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Dizem os livros didáticos que o sistema nervoso serve para "detectar estímulos e responder a eles".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Pode ser -mas isso até amebas e bactérias fazem, e com uma célula só. Um indivíduo que apenas detectasse estímulos e respondesse a eles, ainda que de forma coordenada e organizada, viveria eternamente no presente, incapaz de enxergar para frente ou para trás no tempo, e não teria a menor capacidade de reviver experiências do passado, fazer planos para o futuro -nem de sofrer por antecipação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Suzana Herculano-Houzel (neurocientista, professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia")&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei recentemente à conclusão de que o maior dos males deve mesmo ser o “sofrer por antecipação”.  Arrisco até a dizer que é mais sofrido do que o sofrer por amor. Afinal, não será a antecipação do amor não correspondido a maior causa deste último?&lt;br /&gt;Não sei. Mas sei que eu sofro desse mal e acredito que a maioria das pessoas também. Criança, por exemplo. Criança sofre por antecipação. “Mamãe. Amanhã tem escola?”, “Claro que tem, né?” . “Mas e se amanhã chover?” “Ué, se chover, leva guarda-chuva.”. “E se o despertador não tocar?” . “O meu relógio biológico me acorda.”. “E se eu acordar doente?”, “Eu te dou aspirina”. “E se...”, “Escuta, o que tem amanhã demais?”. “Tem que amanhã é segunda-feira.”. A dor do domingo, inevitavelmente seguido pela segunda, é dura até para quem não cresceu ainda.&lt;br /&gt;Quem é que, nos tempos de criança, não antecipava as férias na casa da avó, ou em algum lugar bacana, longe de casa, cheirando a bolo assado ou coisa do gênero, sonhando em dormir até mais tarde e passar longe dos cadernos? Pois eu, sim. E sofria de dar dó.&lt;br /&gt;Na adolescência, então... Quanto sofrimento gerado por antecipação. Quanta cobrança destruindo a nossa auto-estima. “Será que vão gostar de mim na escola nova?”. “E se os professores implicarem comigo?”Será que aquele menino vai sentar do meu lado?” “E se ele notar que eu tenho espinha?” “E se ele rir dos meus óculos?” . “Ai, meu Deus, tomara que ele não sente perto de mim, não...”. “Será que ele beija bem?”&lt;br /&gt;Tá. Nem todo mundo passa por isso. Mas eu passei e passo até hoje. Antecipo cada detalhe de cada plano traçado. Desde o que vou preparar para o jantar (“Será que a menininha vai comer isso?” “E se depois de todo o trabalho ela não gostar?”. “Será que o arroz vai ficar bom?”) ao que vou preparar para a aula (“Será que vão gostar deste texto?” “E se bocejarem?” “E se eu ficar muda e esquecer tudo?”). Nem sei se menciono o sofrimento antecipando viagens de lazer ou trabalho... Melhor deixar para outra vez, pois já estou antecipando o leitor lendo e se entediando com tantos “serás” e “ses”.&lt;br /&gt;“Será que vou agradar” e “Será que isso vai dar certo?” são, provavelmente perguntas tão relevantes quanto “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”, e consomem a humanidade na mesma proporção.&lt;br /&gt;Será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-8589301949069916306?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/8589301949069916306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=8589301949069916306' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8589301949069916306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8589301949069916306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/02/sofrer-por-antecipacao.html' title='Sofrer por antecipação'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SYdmrxuFclI/AAAAAAAAAFc/BLkYF2oE6Vc/s72-c/janelo_escuro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1417300511985651207</id><published>2009-01-23T16:55:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:17:01.007-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Eu queria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SXpoh3kS7PI/AAAAAAAAAFE/Tv4q_k9o-MU/s1600-h/133203964_ba9f86e180_m.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 240px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SXpoh3kS7PI/AAAAAAAAAFE/Tv4q_k9o-MU/s320/133203964_ba9f86e180_m.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294659242988596466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ter freado, mas não deu tempo.  Eu queria ter dito que a culpa não foi minha, mas era. Eu queria ter saído do carro gritando ofensas para o outro motorista, mas não tinha o direito. Eu queria ter ligado para o esposo dizendo que um maluco qualquer havia entrado no meu caminho, mas não podia. Eu queria dizer que não é verdade que mulher no volante é perigo constante, mas ninguém acreditaria. Eu queria jurar que não fiz por querer, que estava distraída, mas sabia que não era verdade. Eu queria pisar no acelerador e fugir da cena, mas não adiantaria. Eu queria pedir para que não ligassem para a polícia, mas não me ouviriam. Eu queria explicar ao policial que eu era cidadã honesta, mas ele riria irônico. Eu queria chorar, espernear, xingar e gritar. Eu queria ter dito que não, que meu bebê não estava no carro comigo… mas estava.&lt;br /&gt;Ao invés disso, eu agradeci.&lt;br /&gt;Porque eu quis muito vê-la sã e salva e vi. Eu quis que todos saíssemos ilesos e saímos. Eu quis receber conforto e recebi.&lt;br /&gt;Mas nada muda o fato de que eu queria ter dito que sou mãe zelosa e responsável. Eu queria ter esclarecido que  estava indo rumo a uma reunião de pais, os quais amam e cuidam de sua crias. Eu queria que soubessem que naquela manhã eu mesma havia evitado outros acidentes ocasionados por outros. Eu queria que alguém entendesse que até quando não tem ninguém olhando eu dou a maldita seta! Eu queria ter deixado claro que deixei até de beber socialmente depois que engravidei e tive filhos. Eu queria fazer saber que nunca avanço sinal fechado, nem busino impaciente para ninguém; que dou passagem e agradeço quando me dão; que sou cortês e calma; que sou atenciosa e preocupada. Eu queria poder rir de tudo isso, mas ainda não dá.&lt;br /&gt;Eu até nem queria ter escrito esta crônica, mas ela aconteceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1417300511985651207?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1417300511985651207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1417300511985651207' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1417300511985651207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1417300511985651207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/01/eu-queria.html' title='Eu queria'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SXpoh3kS7PI/AAAAAAAAAFE/Tv4q_k9o-MU/s72-c/133203964_ba9f86e180_m.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-62043917819485459</id><published>2009-01-08T22:34:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:17:32.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Mocinhos e Bandidos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/1/3/Celebrity-Image-John-Wayne--1943-134714.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 389px;" src="http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/1/3/Celebrity-Image-John-Wayne--1943-134714.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que vasculho a memória em busca de porquês, esbarro em algum professor. Se é verdade que toda criança fantasia heróis e mocinhos, os meus foram os professores que tive ao longo da vida. Por isto este tema insistente em minha vida. Não tinha mesmo outro jeito: eu quis e escolhi ser um deles. Não foi por acaso.&lt;br /&gt;Queria ser tão querida e amiga quanto o Nicolau, tão adorada e ao mesmo tempo tão temida quanto Alice, tão engraçada quanto… - vários deles -, tão enigmática e carismática quanto Jatobá, etc, etc… Queria ser a mocinha.&lt;br /&gt;De uns tempos para cá venho pensando nos “bandidos”. Afinal, todo mundo, em alguma época da vida, ou várias, também dá de cara com um professor carrasco, daqueles que se assemelham ao “tutu marambá” em cima do telhado. Atormentam a vida e até o sono da gente. Pô, implicam com tudo! Nada está bom para eles. Suas aulas são sessões de tortura. Parece até que a gente está de castigo. E as provas? Só colando. E olha que se colar eles sabem! Professor bandido sente cheiro de trapaça de longe.&lt;br /&gt;Perambulei pelo velho oeste desta memória e me lembrei de um dos maiores vilões do meu passado de estudante dedicada. Ele era John Wayne. Eu era a Pocahontas. Sempre achei que bang-bang que se preze deveria mostrar o índio americano com o mocinho, não o contrário. Por isso eu era a índia. Inocente e indefesa contra o homem branco.&lt;br /&gt;Mas vou chamá-lo aqui de Jerônimo. Nome de índio, mesmo. Então. Jerônimo inspirava terror porque era ambíguo. Bipolar. Fazia gracinhas aqui e dava alfinetadas ali. Nunca dava para saber se Jerônimo estava brincando ou sendo irônico. Se ríamos de suas piadinhas, ele se zangava. Se não ríssemos, também. Sempre distribuía “foras” a torto e a direito, bastava que lhe dessem chance. Mas se a turma não se manifestasse durante a aula, ele procurava alguém para “Cristo”, e aí o pobre diabo passava o resto do dia sendo motivo de chacota.&lt;br /&gt;Tudo isso bastaria para que eu tivesse pavor de Jerônimo, mas não! Tinha que ser pior, dizia a lei de Murphy. Jerônimo tinha que ser professor de contabilidade! Nem a ciência dele era humana.&lt;br /&gt;Por tudo isso, eu sofria por antecipação ao pensar em suas aulas. Decidi que me sentaria no fundo da sua classe sempre! Assim estaria a salvo do seu olhar acusador.&lt;br /&gt;Certa vez, Jerônimo demorou a entrar pela porta. Os minutos se passavam e ele não aparecia. A turma toda deu largas à satisfação de imaginar que Jerônimo, pela primeira vez, havia faltado. Alguns dançavam a dança da chuva, outros corriam pela sala, em seus alazões, sentindo-se livres. Mas eu não. Eu permanecia sentada, sozinha, encostada na parede do fundo. Eu temia.&lt;br /&gt;Foi quando Jerônimo abriu a porta. Silêncio mortal na sala da 8a série. Seu olhar maligno percorreu a sala inteira e parou no meu.&lt;br /&gt;“Você aí!”, gritou apontando para mim. “Saia da sala!”&lt;br /&gt;Senti um frio percorrer minha espinha de cima abaixo. Senti todos os olhares em cima de mim. Senti as lágrimas brotando. Mas não tive coragem de dizer nada. Como poderia argumentar com o próprio bicho-papão em pessoa? Levantei-me silenciosamente e sai.&lt;br /&gt;Já no corredor, ainda em choque e tremendo mais que vara verde, me dei conta de que, se alguns dos inspetores me visse ali, eu seria mandada para detenção, lugar de todos os índios expulsos da sala de aula no meio do dia. Eu vivia o pior pesadelo da minha vida de mocinha. Era o ápice.&lt;br /&gt;De repente ouvi alguém me chamar. Era o inspetor do corredor. As lágrimas insistiram em cair e eu me deixei levar a um canto. Foi quando ele me explicou que o professor de contabilidade havia me liberado para ir para casa. Eu ia chorar e implorar, mas ele disse que a turma toda ficaria na detenção, menos eu. Como assim? Todos estavam de castigo, menos eu. Por isso ele me mandou sair da sala.&lt;br /&gt;Nunca mais eu acreditei em tutu marambá. Nem em John Wayne. Virei índia guerreira, de arco e flecha.&lt;br /&gt;Alguns poucos anos depois, vi Jerônimo anônimo, na hora do hush, em pé, no mesmo ponto de ônibus que eu. Tive medo que ele me reconhecesse e por isso nada disse. Um ônibus, já lotado, parou de súbito, e, contrariando as leis de gravidade e de impenetrabilidade, Jerônimo saltou na porta de trás, confiante. Vi o ônibus se afastar com a porta aberta, levando Jerônimo dependurado, qual surfista de trem, e senti ímpetos de correr e gritar para que parasse.&lt;br /&gt;Senti as lágrimas brotarem novamente. Então era assim que um professor era tratado no meu país.  Jerônimo era o mocinho o tempo inteiro e eu não sabia. Eu não sabia.&lt;br /&gt;Na gaveta das respostas, Jerônimo está lá. Não tinha mesmo outro jeito: eu quis e escolhi ser professora. Não foi por acaso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-62043917819485459?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/62043917819485459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=62043917819485459' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/62043917819485459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/62043917819485459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/01/mocinhos-e-bandidos.html' title='Mocinhos e Bandidos'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1420751956885763192</id><published>2009-01-02T13:11:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:18:00.157-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Que dupla!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SV6Ey9CfglI/AAAAAAAAAEI/p880NvXEYVA/s1600-h/duas+maos"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 142px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SV6Ey9CfglI/AAAAAAAAAEI/p880NvXEYVA/s200/duas+maos" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286809023492883026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Acordei sem ter dormido e encontrei 2009 fresquinho me esperando. Pensei que fosse dar de cara com um bebê mas, para minha surpresa, 2009 parecia mais um adolescente bacana, cheio de ideologias e de estilo. Não me atrevi a começar um diálogo, mas ele se prontificou a me esclarecer que se tratava do meu (só meu) 2009, mas que cabia a mim mesma dividi-lo com quem bem entendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei, meio sem jeito, se ele havia trazido alguma coisa consigo. Entre um sorriso e outro ele dizia que, como bom ano novo que era, carregava muitas promessas, as quais dependeriam dos meus cuidados e esforços para se concretizarem. Nisso tirou-as uma por uma da manga, depositando-as em minhas mãos. Reconheci algumas e fui apresentada a outras. Fitei 2009 agradecida, mas um pouco temerosa. Ele sentiu meu receio e sugeriu que eu as trouxesse sempre comigo sem, no entanto, preocupar-me demais com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei então coragem e perguntei o que mais ele me reservava. O ano ímpar tratou logo de afirmar que não era lá muito previsível, e que, sendo assim, não poderia me adiantar muita coisa. Mas como consolo, disse que eu poderia tirar o máximo mesmo dele, sem dó. “Assim você me deixa sem-graca, né 2009?”. Ele deu uma risada simpática e jovial e disse que até já sabia do que eu mais precisava: tempo. Eu dei de ombros e respondi que até ano bissexto adivinharia aquela, no que 2009 me reprovou, dizendo que eu precisava ser menos irônica e mais empreendedora. Não tive outra opção a não ser concordar, encabulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressenti que nossa conversa ia chegando a termo e não soube o que dizer. 2009 então me abraçou otimista e disse que tinha certeza de que eu trataria bem dele. Olhei no relógio. Estava na hora de levantar e jogar os cacos de 2008 fora. Precisava de espaço para organizar tanta promessa e ainda ter fôlego para cuidar do futuro de um ano esperançoso, cujo sucesso além de depender inteiramente de mim, afetaria certamente o 2009 de cada um daqueles que fazem parte da minha vida . Confesso que hesitei, mas que outro jeito? Demo-nos as mãos, meu ano novo e eu. Que dupla!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1420751956885763192?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1420751956885763192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1420751956885763192' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1420751956885763192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1420751956885763192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2009/01/que-dupla.html' title='Que dupla!'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SV6Ey9CfglI/AAAAAAAAAEI/p880NvXEYVA/s72-c/duas+maos' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-583452291273576922</id><published>2008-12-29T13:17:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:18:32.771-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Mudanças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://aplanicie.files.wordpress.com/2008/01/070101_ano-novo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 518px; height: 456px;" src="http://aplanicie.files.wordpress.com/2008/01/070101_ano-novo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 style="text-align: center; color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;" class="post-title"&gt;                                                  Poema de mudança                                                    &lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt;                                                        " Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; muda-se o ser, muda-se a confiança;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; todo o mundo é composto de mudança,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; tomando sempre novas qualidades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; Continuamente vemos novidades,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; diferentes em tudo da esperança;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; do mal ficam as mágoas na lembrança,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt; e do bem (se algum houve), as saudades."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt;Luís de Camões, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-weight: bold;"&gt;Lírica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que um ano se acaba, além da rápida conclusão a que chego após rever os fatos e acontecimentos pessoais daquele ano perdido (perdido sim, pois a mais significativa conclusão é sempre a de que o pretérito foi perfeito, e de que os segundos, dias e os anos não voltam mais), paro e penso se sou mesmo quem eu quero ser e se faço o que gosto de fazer. Mas a resposta é sempre negativa.&lt;br /&gt;Não que isso me deixe arrancando os cabelos, tampouco depressiva. Simplesmente procuro analisar quem sou e porquê sou assim e não assado. O que me falta para ser quem eu queria e para fazer o que gostaria.&lt;br /&gt;Após explicar a mim mesma, com a já manjada desculpa, que sou fruto das oportunidades as quais me apareceram e continuam a aparecer ou não; que, por exemplo, nunca tive talento nem coragem suficiente para ser outra coisa diferente do que sou hoje, reconheço velhas e novas falhas e traço algum plano semi-(in)falível do qual me esquecerei antes da metade do ano novo. Pronto. Vou encarar o ano novo cheia das velhas esperanças e expectativas de sempre.&lt;br /&gt;Mas neste final de ano resolvi assumir. Eu acho que gosto um pouco de quem eu sou, sim, mas nunca quis admitir. Talvez porque sonhei outros sonhos ou porque presumi que deveria ser mais ou melhor para os outros. Enfim, analisei friamente e decidi que eu não sou quem desejei ser, mas sou quem sou e estou bem assim. Gosto e às vezes chego até a amar o que faço, embora não seja reconhecida moral ou financeiramente por isto. Tudo bem. O que importa é que acordo diariamente renovada, sem sem sequer haver dormido (é que os bebês de 5 meses ainda não entendem bem a necessidade das 8 horas de sono materno), e que, sem notar ou fazer força, dou tudo de mim nos papéis que exerço: mãe, esposa, professora, filha, amiga etc. É que eu não sei ser diferente. Mas também, por quê o seria?&lt;br /&gt;Assim, afora perjurar comer menos doces e voltar a malhar, prometo que  em 2009 vou continuar a ser eu mesma, aprendendo com alguns erros e comentendo tantos outros. Prometo que continuar sendo desse jeito. Enfim: prometo a mim mesma não mudar nada, só deixar que 2009 venha e flua, dando continuidade na corrente da minha minha vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-583452291273576922?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/583452291273576922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=583452291273576922' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/583452291273576922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/583452291273576922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/poema-de-mudana-mudam-se-os-tempos.html' title='Mudanças'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-4397190034198650231</id><published>2008-12-23T10:19:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:18:51.836-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>O menino e a guerra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://g.sheetmusicplus.com/Look-Inside/covers/2922265.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 404px;" src="http://g.sheetmusicplus.com/Look-Inside/covers/2922265.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Natal é uma data triste. É quando eu lembro que estou longe da família no Brasil. É quando olho pela janela e vejo neve (coisa que pouco me impressiona e muito me entristece). É quando eu reconheço que fiz pouco ou quase nada para o meu próximo no ano que está prestes a terminar. É quando recordo que as guerras, a miséria, a violência, o descaso com o ser humano e a degradação do planeta não só aumentaram, como parecem intermináveis.&lt;br /&gt;Nessa data eu me lembro que inventaram e depois comercializaram um dia pagão como sendo o do nascimento de um menino que virou mestre e ensinou amor, desapego e pacifismo. Por isso, no Natal eu não tenho memórias boas ou más. Apenas estas tristes lembranças. Apenas uma vaga tristeza, arrependimento e um pouco de culpa. Meu sentimento está mais para o “Poema de Natal” de Vinícius, que para “jingle bells”.&lt;br /&gt;Mas a vida ainda é boa, não? Isso eu lembro quando vejo minhas filhas dormindo. O que ensinar-lhes? O que deixar-lhes? O melhor presente de Natal que posso lhes oferecer é o amor e a paz que aquele menino-mestre ensinou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Lennon - Happy Christmas (War Is Over) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So this is Christmas&lt;br /&gt;And what have you done&lt;br /&gt;Another year over&lt;br /&gt;And a new one just begun&lt;br /&gt;Ans so this is Christmas&lt;br /&gt;I hope you have fun&lt;br /&gt;The near and the dear one&lt;br /&gt;The old and the young&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A very merry Christmas&lt;br /&gt;And a happy New Year&lt;br /&gt;Let's hope it's a good one&lt;br /&gt;Without any fear&lt;br /&gt;And so this is Christmas&lt;br /&gt;For weak and for strong&lt;br /&gt;For rich and the poor ones&lt;br /&gt;The world is so wrong&lt;br /&gt;And so happy Christmas&lt;br /&gt;For black and for white&lt;br /&gt;For yellow and red ones&lt;br /&gt;Let's stop all the fight&lt;br /&gt;A very merry Christmas&lt;br /&gt;And a happy New Year&lt;br /&gt;Let's hope it's a good one&lt;br /&gt;Without any fear&lt;br /&gt;And so this is Christmas&lt;br /&gt;And what have we done&lt;br /&gt;Another year over&lt;br /&gt;And a new one just begun&lt;br /&gt;Ans so this is Christmas&lt;br /&gt;I hope you have fun&lt;br /&gt;The near and the dear one&lt;br /&gt;The old and the young&lt;br /&gt;A very merry Christmas&lt;br /&gt;And a happy New Year&lt;br /&gt;Let's hope it's a good one&lt;br /&gt;Without any fear&lt;br /&gt;War is over over&lt;br /&gt;If you want it&lt;br /&gt;War is over&lt;br /&gt;Now... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-4397190034198650231?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/4397190034198650231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=4397190034198650231' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/4397190034198650231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/4397190034198650231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/o-menino-e-guerra.html' title='O menino e a guerra'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-6101819537758073695</id><published>2008-12-17T19:47:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:19:27.054-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>O reencontro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://tamissagil.com.sapo.pt/mural%20da%20ana/p.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 652px; height: 520px;" src="http://tamissagil.com.sapo.pt/mural%20da%20ana/p.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas raras vezes em que tenho tempo para limpar esta ou aquela gaveta,  organizando ou fingindo organizar a minha infinita e onipotente “papelada”, sempre sou felicitada com alguma surpresa boa. Sabe aquela sensação vitoriosa de encontrar alguma nota de dinheiro - da qual  você nem havia dado falta - no bolso da jaqueta guardada e cheirando a naftalina?  Pois as minhas descobertas são ainda mais prazerosas.  Morando tão longe de uma terra e de uma gente tão queridas, não raro me sinto emocionada, quase às lágrimas mesmo, com os achados da minha montanha de papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes encontro uma carta ou bilhete no meio das contas para pagar e me sinto tal qual uma princesa resgatada do alto da torre. Noutras basta uma capa de um cd que não ouço há décadas, um cheiro do passado num livro jogado no meio das provas para corrigir(como na música de Adriana Calcanhoto) ou uma foto no meio da bagunça para que eu me esqueça de como a vida da gente é corrida e me transporte  para algum lugar agradável na minha memória fotográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da última vez foi exatamente uma fotografia. Coisa por si só surpreendente, visto que a era digital acabou com o papel. Para ver as fotos a gente precisa ligar o computador. Ninguém mais se importa em “revelar” nada. Lembra desse verbo, “revelar”? “Já revelou as fotos da festa?”, “Ainda não”. “Quantas poses tem no filme?”. “Umas 25, mas quando revelar, devem sair umas 27”. Lembra disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Mas eu achei uma foto de verdade, um pouco velha  e solitária, gritando por mim. Senti-me a princípio surpresa, depois culpada, e, por fim, feliz. A foto não tinha lá muita qualidade. Fora tirada por volta de 2003 com uma máquina daquelas descartável. Mas eu não conseguia colocar os dentes para dentro da boca. Ela me fazia sorrir aquele sorriso bobo, de quem se esqueceu que a vida também é interessante às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela um menino de uns 7 anos, cujo nome desconheço, sorria com o bracinho em volta do meu pescoço. O que me fascinava não era a foto, nem o sorriso simpático de criança ou ainda o meu sorriso jovem que naquela época ainda era moreno jambo.  O que me emocionava era a lembrança de como aquele menino esperto havia passado em meu caminho e me tocado com seu cárater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num flasback sem música (Sim , porque geralmente os meus têm música), vi –me passeando de mãos dadas com o esposo-mais- brasileiro-que-eu no Largo da Carioca, no Rio, num dia ensolarado. Havíamos andado por Santa Teresa, pois eu lhe mostrava onde passei parte da minha vida, nos tempos de faculdade. O dia quente e as andanças convidavam-nos agora a um bom suco de açaí, o preferido do esposo. Sentados num bar vazio e antigo,  sorríamos satisfeitos, na espera do suco perfeito que coroaria o dia mais perfeito ainda. Foi  quando um menino de braços finos se aproximou e, muito educadamente, ofereceu suas balas de coco por 25 centavos cada. Perguntamos a ele se gostaria de tomar um suco conosco, no que ele prontamente respondeu que não, pois estava trabalhando. A resposta nos surpreendeu, principalmente, pelo tom responsável que vinha daquela pequena pessoa. Daí o esposo, parte sociólogo, parte fotógrafo, ofereceu comprar uma foto dele, que pediu uma explicação. “Ele tira uma foto tua e te paga um Real por ela”, eu respondi. Ele pensou e pensou, fixando o teto do bar. “Mas você não prefere só comprar quatro balas por um Real?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntamos, vencidos, se as balas eram boas mesmo, só para ouvi-lo falar e conhecer um pouco mais sobre sua história. Ele disse que eram as melhores balas de coco que ELE havia comido e que era sua mãe quem as fazia. Eu comprei uma para provar e concordei com ele: deliciosa! Ele contou sobre sua mãe e seus irmãos. Disse que estava na escola e revelou o que faria com o dinheiro que sua mãe lhe daria de “comissão” . “Vou comprar um rádio e um fone de ouvido no Natal.”, disse orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei quanto custaria comprar todas as balas que ele levava, no que o menino inquiriu “Mas por que você que comprar tanta bala?” Eu quis muito responder “Pra te ajudar”, mas pensei bem, e vi que ele não precisava nem queria ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os sucos chegaram, seus grandes olhos castanhos acompanharam o homem que nos servia e quando este trouxe um copo para o “chorinho” eu insisti: “Mas você não quer nem um pouquinho? Está tanto calor.” Ele fez que não.  O esposo fez outra oferta. Ele compraria 12 balas e, em troca do suco, tiraria uma foto do menino. Ficou tudo acertado. Compramos as balas e, depois que tomamos o açaí, tiramos aquela foto que eu segurava agora nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele agradeceu e se despediu, muito contente com seus 3 reais. E nos ficamos ali, mudos, estáticos, já saudosos daquela figura que nunca mais encontraríamos. Mas no dia em que achei a foto eu o reencontrei, e mais uma vez ele me trouxe sua energia boa, que me valeu muito mais que qualquer nota de papel esquecida no bolso da calça. Não me lembro onde coloquei a sua foto depois disso, mas acho que foi de propósito, só para um dia ser novamente surpreendida por ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-6101819537758073695?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/6101819537758073695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=6101819537758073695' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6101819537758073695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6101819537758073695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/o-reencontro.html' title='O reencontro'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-5995540367251539098</id><published>2008-12-11T21:28:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:20:04.574-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Elmo e as pessoas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SUH2_k9aZmI/AAAAAAAAADI/gmY1zAE-mH0/s1600-h/152F%7ESesame-Street-Elmo-Loves-You-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 252px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SUH2_k9aZmI/AAAAAAAAADI/gmY1zAE-mH0/s320/152F%7ESesame-Street-Elmo-Loves-You-Posters.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278771810368382562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos professores que moldaram a pessoa que sou hoje e de quem guardo uma lembranca muito querida chamava-se Marcel. Não é erro de digitação, não. Marcel, mesmo, não era Marcelo. Lembra da Alice, minha professora que não vinha do país das maravilhas? Então. Marcel também era professor de Português, mas veio antes da Alice. Eu cursava a 5a. série e tinha dez anos.&lt;br /&gt;Além do nome curioso, presença marcante e bom humor, Marcel tinha uma peculiaridade: referia a si mesmo na terceira pessoa. Sempre. Dizia: “Marcel vai fazer isso... Marcel vai fazer aquilo.”&lt;br /&gt;No comeco achava engraçado, presumindo que Marcel fazia aquilo de propósito, de brincadeira. Mas com o tempo precebi que não. Marcel realmente dirigia-se a sua pessoa pelo nome que lhe deram.&lt;br /&gt;Depois de Marcel, encontrei em minha vida poucas pessoas com o mesmo hábito e me perguntava o porquê. Gostavam assim tanto de seus próprios nomes ou havia algo de mais complexo por trás desta atitude? Teriam por acaso elas algum problema de identidade, dupla personalidade ou o quê? Será que todas possuiam baixa estima ou, ao contrário,  egos superexcitados que lhes permitiam especial referência?&lt;br /&gt;Foi quando me deparei com um ótimo texto de Moacyr Scliar: “Nós, o pistoleiro, não devemos ter piedade”. Nele, o narrador refere-se a si mesmo na 1a. pessoa do plural! Ainda mais intrigante. Descobri que muitos linguistas estudam este tipo de discurso e alguns o chamam de referenciação. Mas depois de ler, procurar e tentar analisar sozinha, acabei desistindo de entender e admiti que não sabia nada mesmo! No final das contas, não fazia a menor diferença, pois o que interessava é que Marcel, por exemplo, era o que era porque era e pronto!&lt;br /&gt;Muitos anos mais tarde, eu, agora mãe de uma menininha muito curiosa, que tenta entender e diferenciar duas línguas totalmente distintas, enquanto aprende a se comunicar, fui apresentada a um boneco-marionete muito popular nos EUA chamado Elmo. Não é que o tal conversa com as crianças sem jamais usar a 1a pessoa?&lt;br /&gt;Pronto!&lt;br /&gt;E dia desses, chamando a atencão da tal menininha de nome bem brasileiro (tupiniquim mesmo!) na terra do tio Sam (tio de quem?), reparei, surpresa, que havia algo de Marcel em mim:&lt;br /&gt;- Mamãe não gosta quando você faz isso!&lt;br /&gt;E ela disse:&lt;br /&gt;-Mamãe Carla!&lt;br /&gt;Carla é uma boba ou não é?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-5995540367251539098?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/5995540367251539098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=5995540367251539098' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5995540367251539098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/5995540367251539098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/elmo-e-as-pessoas.html' title='Elmo e as pessoas'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SUH2_k9aZmI/AAAAAAAAADI/gmY1zAE-mH0/s72-c/152F%7ESesame-Street-Elmo-Loves-You-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2078708038097314743</id><published>2008-12-09T20:39:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:21:17.835-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Déjà Vu – até quando?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/ST9KSEJUf5I/AAAAAAAAAC4/b35d3hJhlZI/s1600-h/300666751_cc4c0e2ab1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 212px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/ST9KSEJUf5I/AAAAAAAAAC4/b35d3hJhlZI/s320/300666751_cc4c0e2ab1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278018962512445330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;A não-violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não-violência, na sua forma activa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Mahatma Gandhi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Holocausto nuca mais”, eles disseram. Prometeram. Mas eles não foram capazes de manter a promessa para sempre.&lt;br /&gt;Passou o dia assistindo televisão em vão. Canais locais e da tv a cabo. Nada. Sequer uma única menção ou notícia sobre Darfur.&lt;br /&gt;Enxugou o suor frio que lhe escorria da testa, num misto de desespero e raiva. Até quando o genocídio seria permitido na face da Terra? Como era possível cometer os mesmos erros e ignorar os sinais clássicos? De que valia a união das nações cuja ajuda sempre tardava em chegar?&lt;br /&gt;Em sua memória fotográfica, revia Ruanda e os milhares de corpos de tutsis exterminados por motivos cruéis e tão semelhantes à ideologia nazista de uma raça superior. Num gesto instintivo, pousou os dedos sobre o nariz, medindo-o.&lt;br /&gt;Supsirou fundo. Chorou compulsivamente por alguns minutos.&lt;br /&gt;Bósnia . Tibete. Cambodia. Turquia. Até quando a violação massiva dos direitos humanos se repetiria debaixo dos olhos daqueles que prometeram defendê-los?&lt;br /&gt;Pensou nos indíos Kaiowá Guarani, que aparentemente valiam menos que as cabeças de gado no Mato Grosso do Sul e desligou a tv. Até quando os ganhos econômicos teriam prioridade sobre a vida humana?&lt;br /&gt;Até quando as causas do genocídio seriam desprezadas?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;“Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;(…)Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.”&lt;/span&gt;  &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt; (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-2078708038097314743?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/2078708038097314743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=2078708038097314743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2078708038097314743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2078708038097314743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/12/dj-vu-at-quando.html' title='Déjà Vu – até quando?'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/ST9KSEJUf5I/AAAAAAAAAC4/b35d3hJhlZI/s72-c/300666751_cc4c0e2ab1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-3617737207713915289</id><published>2008-11-28T21:31:00.000-08:00</published><updated>2008-11-28T21:51:36.529-08:00</updated><title type='text'>CAPÍTULO XXXIII / O PENTEADO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/STDYRfCzLNI/AAAAAAAAACo/FwqaKMJ7Z7s/s1600-h/machado_de_assis1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 233px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/STDYRfCzLNI/AAAAAAAAACo/FwqaKMJ7Z7s/s320/machado_de_assis1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273952958553468114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="Comunicacoes"&gt;                                         &lt;div class="TITULOS"&gt;&lt;img src="http://www.triplov.com/triplov_novo/pics/barra_menu.gif" alt="" height="3" width="529" /&gt; &lt;/div&gt;               &lt;/div&gt;                            &lt;p style="color: rgb(153, 0, 0); text-align: right;" class="style24"&gt;Dom Casmurro - Machado de Assis&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(153, 0, 0);" class="style24" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="style24"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;(Meu texto favorito de Machado, que posto aqui em homenagem aos 100 anos de sua morte Reparem na maneira singular com que o genial autor retrata o primeiro beijo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="style24" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="style24" align="justify"&gt;E Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelho. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as últimas pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse. &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;--Senta aqui, é melhor. &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;Sentou-se. "Vamos ver o grande cabeleireiro", disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Todo eu estou mitológico. Ainda há pouco, falando dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Tétis; risquei Tétis, risquemos ninfa, digamos somente uma criatura amada, palavra que envolve todas as potências cristãs e pagãs. Enfim acabei as duas tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada. Juntei as pontas das tranças, uni-as por um laço, retoquei a obra, alargando aqui, achatando ali, até que exclamei: &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;--Pronto! &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;--Estará bom? &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;--Veja no espelho. &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela rosto a rosto, mas trocados, os olhos de uma na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu. &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;--Levanta, Capitu! &lt;/p&gt;              &lt;p class="style24" align="justify"&gt;Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e... &lt;/p&gt;              Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso. atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-3617737207713915289?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/3617737207713915289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=3617737207713915289' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/3617737207713915289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/3617737207713915289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/11/captulo-xxxiii-o-penteado.html' title='CAPÍTULO XXXIII / O PENTEADO'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/STDYRfCzLNI/AAAAAAAAACo/FwqaKMJ7Z7s/s72-c/machado_de_assis1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-8832744318092351616</id><published>2008-11-23T05:14:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:22:28.403-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Nú artístico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SSlZ619TtWI/AAAAAAAAACI/aECeBOdCfK0/s1600-h/pinup%2Balmoore.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 198px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SSlZ619TtWI/AAAAAAAAACI/aECeBOdCfK0/s320/pinup%2Balmoore.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271843706265384290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;(ilustração: Al Moore, artista Americano da década de 50)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Pelada, não!&lt;br /&gt;Renato andava bufando de um lado para o outro na minúscula sala do apartamento na praia do Flamengo. As mãos, suadas, balançavam no ar sem parar enquanto as veias do pescoço saltavam coordenadas com as da testa, que fervia `aquela altura do campeonato. Aliás, antes fosse algum final de campeonato. Antes ver o flamengo perdendo um fla-flu de virada nos acréscimos do segundo tempo bem na decisão da Taça Guanabara do que ouvir aquilo.&lt;br /&gt;-- Olha o coração! – implorava a jovem esposa, entre culpada e ressentida.&lt;br /&gt;Mas Renato não olhava. Não estava dando a mínima pro coração, pra um possível segundo infarto. Pra nada. Renato só queria dissuadir a esposa daquela idéia escabrosa.  Correu até a cozinha e no melhor estilo “dramalhão mexicano” pegou o faqueiro inteiro e ofereceu `a esposa:&lt;br /&gt;-- Pronto! Escolhe! Crava uma no meu peito e acaba logo com isso!&lt;br /&gt;-- Bimbão! O que é isso?&lt;br /&gt;-- E não me chame mais de bimbão! Bimbao é o escambal!&lt;br /&gt;A jovem senhora, não mais se contendo, caiu no sofá-cama e desatou a chorar.&lt;br /&gt;Pronto. Um  a zero. Coisa que ele detestava era ver mulher chorando.  Bastava uma choramingada e lá se ia a discussão por água a baixo. Toda uma estratégia perdida por causa do seu coração mole de machão-latino-de-meia-idade irrecuperável!&lt;br /&gt;-- Também não precisa chorar, né? – disse sentando-se perto da esposa e abaixando o tom de voz.&lt;br /&gt;Era o Bimbão novamente.&lt;br /&gt;-- Eu não sabia que você ia ficar assim, aborrecido. Eu só queria fazer uma surpresa. – choramingou a moça.&lt;br /&gt;-- Pois conseguiu mesmo. Estou que sou pura surpresa. Mas uma dessas e eu paro na UTI de novo. Mas... calma. – consertou em seguida, vendo que a esposa já preparava outra cara de choro. De onde saiu essa idéia de posar pelada? Que da sua cabecinha ingênua é que não foi!&lt;br /&gt;-- Não é pelada, não. É nua. Você  nunca ouviu falar de “nu artístico”?&lt;br /&gt;Renato deu uma gargalhada histérica.&lt;br /&gt;-- Essa é boa!!! Pelada e nua é tudo a mesma porcaria, Estelinha. Quem inventou esta história de nu artístico só estava procurando uma boa desculpa para ver pornografia e ainda tirar onda de intelectual! Depois eu é que sou o pervertido. Esqueceu que você me fez jogar fora a minha coleção da playboy, esqueceu?&lt;br /&gt;Dessa vez foi a vez da Estela estourar.&lt;br /&gt;-- Renato, eu não vou sair na capa da playboy! Eu não vou nem tirar foto!! Eu vou posar para os alunos da universidade. Eu não sou nenhuma desclassificada, não!&lt;br /&gt;-- Por isso mesmo! Além de tudo, pelada na frente de um bando de famígeros mal-saídos da puberdade!! Olha que a sua foto vai parar na internete, hein? Aí nem com reza brava! O que é que os vizinhos vão dizer?&lt;br /&gt;Estela suspirou fundo. Num gesto muito seu, abocanhou impacientemente o dedo mindinho. Renato gelou. Conhecia de cor a linguagem corporal da esposa. Ela estava à beira de ataque de nervos. Os olhos de Estela fixavam o telefone e ele sabia: ela ia ligar para mãe. Colocar a sogra no meio era covardia!&lt;br /&gt;“Pensa rápido, Renato. Pensa!”&lt;br /&gt;Precisava de um argumento definitivo que encerrasse a discussão e que de preferência o elevasse a herói na frente da mulher. Resolveu mudar de tática e parecer mais compreensivo para ganhar tempo:&lt;br /&gt;-- Meu anjo, vem cá – chamou Bimbão, solícito. Vamos fazer o seguinte: você perdoa este seu marido ignorante e tenta explicar mais uma vez o que é que você vai fazer lá na faculdade de belas artes. É assim que se chama o lugar, né?&lt;br /&gt;-- É... – respondeu Estela entre reticências.&lt;br /&gt;Renato caprichou na piscadela típica e deu uma batidinha no sofá, ao seu lado. Ela hesitou.&lt;br /&gt;-- Eu vou te ouvir dessa vez. Só falo no final. Combinado?&lt;br /&gt;Estela fez que sim.&lt;br /&gt;Sentada ao lado do esposo, ela finalmente tirara o mindinho de dentro da boca, mas ainda olhava o telefone pelo canto do olho.&lt;br /&gt;-- Então? – perguntou o marido.&lt;br /&gt;-- Então, Bimbão. Eu fui convidada para posar semi... semi, ouviu bem? Semi-nua para a classe de desenho anatômico, como modelo remunerada.&lt;br /&gt;-- Modelo é?&lt;br /&gt;-- É... modelo vivo, entendeu?&lt;br /&gt;Breve silêncio. Renato coçou o queixo.&lt;br /&gt;-- Então me dá um exemplo de como você posaria.&lt;br /&gt;Estela arregalou os olhos. Fora pêga desprevenida. Pensou um pouco. Tirou a blusa e sentou na mesinha do centro da sala-de-estar, fazendo um gesto delicado com as mãos.&lt;br /&gt;Bimbão, boquiaberto diante da cena, não se agüentou e perdeu as estribeiras:&lt;br /&gt;-- O que é isso, Estelinha? Onde já se viu?! Você viu com que rapidez você arrancou a blusa? Ora, faça-me o favor! E essa pose? Se isso aí é arte, o Paulão mecânico é o maior patrono de artes do Rio de Janeiro! Ora faça-me o favor!&lt;br /&gt;E vendo que Estela já de mindinho na boca se dirigia ao telefone, emplacou como cartada final:&lt;br /&gt;-- Já pensou o que o seu pai lá em Canoa Quebrada vai dizer quando souber dessa história?&lt;br /&gt;No que a esposa do ex-Bimbão retorquiu:&lt;br /&gt;-- Cadê aquele faqueiro? Onde foi parar aquele maldito faqueiro?!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-8832744318092351616?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/8832744318092351616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=8832744318092351616' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8832744318092351616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/8832744318092351616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/11/n-arstico.html' title='Nú artístico'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SSlZ619TtWI/AAAAAAAAACI/aECeBOdCfK0/s72-c/pinup%2Balmoore.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-9105208739416141413</id><published>2008-11-14T20:27:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:23:02.620-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Frio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SR5RSQo_4eI/AAAAAAAAABY/52WkzC7hbXs/s1600-h/frio-2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 241px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SR5RSQo_4eI/AAAAAAAAABY/52WkzC7hbXs/s320/frio-2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268737988216480226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Exatamente às 6 horas, como em todos os outros dias, o despertador tocou. Meus olhos se esforçaram para abrir. Minha mãe, já de pé, chamou-me delicadamente, ignorando que o maldito relógio possivelmente despertara – com seu som estridente – a mim e a todo o prédio.&lt;br /&gt;“Deveria ser proibido acordar tão cedo durante o inverno nesta cidade”, pensei. Inevitavelmente o choque térmico entre o corpo quentinho sob o cobertor e o frio branco do banheiro acordou-me de vez. Munida de uma força sobre-humana me despi e, antes de congelar, abri o chuveiro, cuja água – quase fervendo – agredia minha pele.&lt;br /&gt;Devidamente vestida com o uniforme do colégio – o qual escondia duas blusas, uma fina calça de lã e três meias – sentei-me à mesa para tomar o café com torradas à minha espera.&lt;br /&gt;“Preciso de umas luvas”. Beijei o rosto quente e amoroso de minha mãe automaticamente. E automaticamente peguei minha mochila, encarando sem estímulo o frio da rua.&lt;br /&gt;Sem dúvida fora uma das noites mais frias daquele ano. Ainda que não houvesse chovido, o ar estava úmido e o chão molhado. Procurei caminhar a passos largos e rápidos em direção à escola, que ficava a alguns metros de casa. Tinha o intuito de aquecer-me. A rua, pouco movimentada, parecia particularmente ainda mais gelada e mais longa. Sentia minha boca rachar e meu nariz doer.&lt;br /&gt;Como que para encurtar a distância, passei a me entreter, soltando ar quente pela boca e provocando um vaporzinho à minha frente.&lt;br /&gt;A uma certa altura, deparei-me com uma figura encolhida, sentada à porta de um restaurante famoso da cidade. Suas roupas eram escuras. Uma onda de medo passou repentinamente pelo meu corpo tão protegido. Entretanto, diminuí a velocidade do meu caminhar.&lt;br /&gt;Intrigou-me não poder ver os olhos daquela pessoa, pois sua cabeça pendia sobre suas pernas. Se pudesse, seu olhar certamente me diria o porquê de estar naquela hora num lugar tão cruelmente frio. Ao passar por tal figura, analisei rapidamente suas mãos, à mostra: tinham uma cor indescritível. Fechei os olhos por um instante, recordando a silhueta que, agora, havia ficado para trás. Parecia imóvel.&lt;br /&gt;Algo em mim pedia-me que voltasse, mas o frio, mais forte, mandava-me continuar meu caminho.&lt;br /&gt;Já em sala a triste figura havia fugido de minha mente, e eu só pensava o quão frias eram a sala, as carteiras; o quão frio era o meu professor&lt;span&gt;।&lt;/span&gt; Durante o recreio, uma pequena parte da imensa quadra de esportes fora – com em todas aquelas manhãs de inverno – agraciada com alguns raios do sol que discretamente aparecia. Nada de jogos, correrias ou gritos. Todos procurávamos nos espremer solidária e pacificamente no “cantinho do sol”, como o chamávamos.&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;Os alunos, em êxtase, aglomeraram-se na saída da escola, num breve calor humano. Desci a rua em direção à minha casa.&lt;br /&gt;Com o coração aos saltos, vi à minha frente uma multidão que assistia de modo frio e absorto a uma cena qualquer. Qualquer? Sem perceber passei a andar mais depressa. A multidão e o que parecia ser uma ambulância permaneciam em frente ao restaurante famoso. Imediatamente a figura congelada em meu pensamento voltou a intrigar-me.&lt;br /&gt;Quando finalmente me aproximei – entre confusão e desespero – não encontrei o que temia ver.&lt;br /&gt;_O que aconteceu? – perguntei tremendo a uma senhora ao lado.&lt;br /&gt;_Mas uma vítima desse frio horroroso. Já recolheram o corpo.-respondeu com frieza.&lt;br /&gt;Meu rosto e mãos estavam em brasas. Meu corpo e minha alma queimavam. Queimam.&lt;br /&gt;Eu só me lembrava da indefinível cor da pele daquela figura cujo rosto eu jamais vi, mas que me assombra em todos os intermináveis invernos da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-9105208739416141413?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/9105208739416141413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=9105208739416141413' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/9105208739416141413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/9105208739416141413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/11/frio.html' title='Frio'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SR5RSQo_4eI/AAAAAAAAABY/52WkzC7hbXs/s72-c/frio-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-7402320176839856120</id><published>2008-11-05T07:58:00.000-08:00</published><updated>2009-05-31T21:23:27.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Moinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SRHgFNoPKmI/AAAAAAAAABQ/x2hHkglE6W4/s1600-h/moinho.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SRHgFNoPKmI/AAAAAAAAABQ/x2hHkglE6W4/s320/moinho.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265235819535215202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abriu os olhos devagar. A cortina de linho deixava entrar em seu quarto os primeiros raios de sol daquele dia frio de outono. O silêncio era absoluto, e embora a janela estivesse fechada, podia quase ouvir o vento tocando uma melodia harmoniosa, interpretada apenas pelo bailar das folhas que ao caírem cobriam inteiramente o chão, criando um tapete multicolorido na frente da casa.&lt;br /&gt;Era a primeira vez que acordara antes do despertador.Talvez porque sequer havia dormido. Os pensamentos eram muitos e a mente se recusara a calar durante a noite, enquanto o corpo tentava em vão repousar.  Não eram os outros que ela temia.Temia a si mesma. Temia a própria censura, a própria reprovação. Nada possuía, além da consciência.&lt;br /&gt;Teve ímpetos de permanecer na cama até que a culpa se fosse de vez, mas era inútil ignorá-la. Talvez não dessem falta dela. O mundo estava muito ocupado naquela manhã que as futuras gerações chamariam histórica. O império em crise havia escolhido seu 43o presidente no dia anterior. Não  sabia prever o futuro, mas sentia que o sonho do Dr. King era diferente. Seu sonho não era em preto e branco, mas colorido, tal qual as folhas que insistiam em cair. Cada cor possuía igual importância naquela bonita aquarela criada pela natureza.&lt;br /&gt;Enfim levantou-se e sentiu o chão frio. Suspirou  e inspirou a saudade do cheiro do café forte coado na hora. Decidiu-se: cavara o abismo. Restava-lhe encará-lo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/%3Cobject%20classid=%22clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000%22%20codebase=%22http://fpdownload.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=8,0,18,0%22%20width=%22325%22%20height=%2285%22%20id=%22divmp3%22%3E%3Cparam%20name=%22movie%22%20value=%22http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=5256618-dfc%22%20/%3E%3Cembed%20src=%22http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=5256618-dfc%22%20width=%22325%22%20height=%2285%22%20name=%22divmp3%22%20type=%22application/x-shockwave-flash%22%20pluginspage=%22http://www.macromedia.com/go/getflashplayer%22%3E%3C/embed%3E%3C/object%3E"&gt;&lt;object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=8,0,18,0" id="divmp3" height="85" width="325"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=5256618-dfc"&gt;&lt;embed src="http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=5256618-dfc" name="divmp3" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" height="85" width="325"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-7402320176839856120?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/7402320176839856120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=7402320176839856120' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7402320176839856120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/7402320176839856120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/11/blog-post.html' title='Moinho'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SRHgFNoPKmI/AAAAAAAAABQ/x2hHkglE6W4/s72-c/moinho.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-1275145947903768039</id><published>2008-10-22T18:35:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:23:45.306-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SP_Zkeuhc4I/AAAAAAAAABI/3GHkxe0RKT8/s1600-h/churros1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SP_Zkeuhc4I/AAAAAAAAABI/3GHkxe0RKT8/s320/churros1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260162110538740610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;Churros Recheados Com Doce de Leite&lt;/span&gt;              &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                             &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:78%;"  &gt;(...)&lt;br /&gt;Dia desses eu passeava com meu esposo que não gosta de ser chamado de gringo numa bela praia de Cabo Frio à noite. Era nosso segundo casamento e primeira lua-de-mel, história meio complicada mas muito romântica. O passeio estava muito agradável, o riso rolando solto e aquela sensação de que só nós dois existíamos naquele momento tão precioso. A brisa marítima vinha arrepiar os pelinhos dos braços e bagunçar o cabelo que o esposo tentava em vão tirar dos meus olhos. Fazíamos planos irretocáveis para o futuro ao som do saltinho da minha recém-comprada-sandália sendo arrastada preguiçosamente nas pedras do calçadão. Ah… que céu lindo, cheio de estrelas (que o esposo prometia uma por uma me dar), que delícia de brisa balançando o vestido florido, que cheiro de… churros recheados com doce de leite?&lt;br /&gt;Apertei a mão do esposo e anunciei:&lt;br /&gt;-- You’ve got to taste this!&lt;br /&gt;Ali, no meio da praia, à noite e em pleno junho, quando Cabo Frio fica quase deserto, sem barraquinhas, sem parque, sem turistas… eu tive a visão do paraíso: uma barraquinha de churros!! O esposo estrangeiro iria conhecer o gosto da minha infância. Cinquenta centavos cada. Ainda tá quentinho? Sim. Capricha no doce de leite, moço!&lt;br /&gt;Sentamos no banquinho cheio de terra. O esposo deu a primeira mordida meio sem jeito e fechou os olhos. A expressão do seu rosto disse mais que mil palavras estrangeiras poderiam um dia expressar. Satisfeita, voltei-me para o meu churro. Aquela textura, aquele aroma… Fase primeira: o tato. Lembrei-me das mãos macias da mãezinha segurando a minha, ajudando-me a descer do ônibus e atravessar a rua na rodoviária em direção à barraquinha de churros, Sempre a mesma. Eu, de uniforme, olhava com grandes olhos o moço escolher um bem grande, passar no açúcar e rechear com doce de leite. Verdade que quando se é criança tudo parece maior. Entrávamos em outro ônibus, sentávamos no “altinho” e saboreávamos juntas aquele presente bem devagarinho, para não acabar rápido.&lt;br /&gt;O cheiro. Antes de se comer o churro é preciso inalar o seu aroma até que se fique com água na boca. Aí, sim. Aí pode se comer com gosto.&lt;br /&gt;O sabor. E daí que foi frito sabe-se lá a que horas e em que circunstâncias? E daí se não é lá muito saudável? Quem se lembra desses detalhes uma vez que o churro derrete na boca, trazendo indescritíveis sensações?&lt;br /&gt;Pronto. Findo. Uma lágrima de saudade escorre do canto dos olhos. Muitos cheiros, texturas e gostos me lembram a minha infância em Petrópolis, mas nada jamais se comparou aos churros recheados com doce de leite que eu comia em companhia de minha mãe. Viro-me para o esposo e qual não é minha surpresa ao vê-lo de volta na barraquinha, um Real na mão, olhos grandes, caprichando no português, a pedir mais dois.&lt;br /&gt;Agora ele também teria do que se recordar quando, no futuro, avistasse uma barraquinha de churros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;               &lt;p&gt;                &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-1275145947903768039?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/1275145947903768039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=1275145947903768039' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1275145947903768039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/1275145947903768039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/10/churros-recheados-com-doce-de-leite-por.html' title=''/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SP_Zkeuhc4I/AAAAAAAAABI/3GHkxe0RKT8/s72-c/churros1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-6491947263687616136</id><published>2008-10-16T08:41:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T21:12:32.882-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Alice no País de Mary Poppins (ou na Austria?)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SPdpMJbqO8I/AAAAAAAAABA/ekDYKpmhjLU/s1600-h/BSO_Sonrisas_Y_Lagrimas_%28The_Sound_Of_Music%29--Frontal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SPdpMJbqO8I/AAAAAAAAABA/ekDYKpmhjLU/s320/BSO_Sonrisas_Y_Lagrimas_%28The_Sound_Of_Music%29--Frontal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257786747389623234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre fui apaixonada. Apaixonei-me pela literatura desde muito cedo. Éramos felizes, em nosso triângulo amoroso: a leitura, a escrita e eu. Confesso que sentia prazer com a primeira, mas era a escrita quem me proporcionava momentos de êxtase, pois que através dela recebia sempre o reconhecimento que me afagava o ego.&lt;br /&gt;Mas como boa amante, sabia que as duas me completavam e delas tirava o máximo, sem me preocupar com o futuro. Foi quando aconteceu. Final dos anos 80. Eu tinha treze anos (quase uma Lolita)e cursava a 8a. série quando a notei. Já a conhecia, mas a ignorara até então. Foi-me apresentada pela enérgica e inesquecível professora Alice. Ah! Alice, a que fazia questão de afirmar, negando: não viera do País das Maravilhas. Alice, a mestra e maestra maior.&lt;br /&gt;Poderia descrevê-la? Talvez uma Mary Poppins Tupiniquim. Em verdade, ela em muito me lembrava ambas  personagem e atriz principal de um de meus filmes prediletos: The Sound of Music. Cabelos loiros e curtos, estilo Julie Andrews, ela, embora não cantasse, me encantou. Alice era uma encantadora! Encantou-me não com a voz suave, mas com os seus arroubos; não com as notas musicais, mas com as regras gramaticais.&lt;br /&gt;Alice me reapresentou a gramática. Dela virei escrava desde então. Não sendo forte o bastante para resistí-la, deixei-me levar por ela e me atirei num abismo sem volta. Vi meus sonhos de menina aos poucos serem  ofuscados por ELA. Onde a escritora? Onde a amante? Restou-me, então, ensiná-la, passá-la adiante. Sonho um dia dela me desvencilhar, pois que ela me segue aonde quer que eu vá. Sou apenas sua sombra.&lt;br /&gt;Alice! Por que me encantastes?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-6491947263687616136?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/6491947263687616136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=6491947263687616136' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6491947263687616136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/6491947263687616136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/10/alice-no-pas-de-mary-poppins-ou-na.html' title='Alice no País de Mary Poppins (ou na Austria?)'/><author><name>C. S. Muhammad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13279748071249933154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rOrDw_wX5VA/Ta5HEB0D0_I/AAAAAAAAASw/u1hQWpsALzk/s220/IMG_8106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FGLIQ6fZ15U/SPdpMJbqO8I/AAAAAAAAABA/ekDYKpmhjLU/s72-c/BSO_Sonrisas_Y_Lagrimas_%28The_Sound_Of_Music%29--Frontal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-909616205958709936.post-2680054282574629794</id><published>2008-10-15T18:20:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T18:25:20.078-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.margencero.com/cuentos_mcero/cuentos7/abismo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.margencero.com/cuentos_mcero/cuentos7/abismo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;A Lucidez Perigosa&lt;br /&gt;Clarice Lispector&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sentindo uma clareza tão grande&lt;br /&gt;que me anula como pessoa atual e comum:&lt;br /&gt;é uma lucidez vazia, como explicar?&lt;br /&gt;assim como um cálculo matemático perfeito&lt;br /&gt;do qual, no entanto, não se precise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou por assim dizer&lt;br /&gt;vendo claramente o vazio.&lt;br /&gt;E nem entendo aquilo que entendo:&lt;br /&gt;pois estou infinitamente maior que eu mesma,&lt;br /&gt;e não me alcanço.&lt;br /&gt;Além do que:&lt;br /&gt;que faço dessa lucidez?&lt;br /&gt;Sei também que esta minha lucidez&lt;br /&gt;pode-se tornar o inferno humano&lt;br /&gt;- já me aconteceu antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois sei que&lt;br /&gt;- em termos de nossa diária&lt;br /&gt;e permanente acomodação&lt;br /&gt;resignada à irrealidade&lt;br /&gt;- essa clareza de realidade&lt;br /&gt;é um risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apagai, pois, minha flama, Deus,&lt;br /&gt;porque ela não me serve&lt;br /&gt;para viver os dias.&lt;br /&gt;Ajudai-me a de novo consistir&lt;br /&gt;dos modos possíveis.&lt;br /&gt;Eu consisto,&lt;br /&gt;eu consisto,&lt;br /&gt;amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/909616205958709936-2680054282574629794?l=retratosentido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retratosentido.blogspot.com/feeds/2680054282574629794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=909616205958709936&amp;postID=2680054282574629794' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2680054282574629794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/909616205958709936/posts/default/2680054282574629794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retratosentido.blogspot.com/2008/10/lucidez-perigosa-clarice-lispector.html' title=''/><author><name>C. 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